BOGOTÁ, 30 Ago. 16 / 06:00 pm (ACI).- “Neste Ano da Misericórdia é importante reconhecer que o aborto é o campo de batalha de nosso tempo”, advertiu Vicky Thorn, fundadora do Projeto Raquel, uma iniciativa da Igreja nos Estados Unidos que assiste as mulheres com síndrome pós-aborto e que “deve ser entendido como um hospital de campanha que oferece misericórdia”.

 

Thorn disse essas palavras durante o terceiro dia do “Jubileu Extraordinário da Misericórdia no Continente Americano”, que acontece em Bogotá (Colômbia) e termina hoje, convocado e organizado conjuntamente pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e o Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), em contato e colaboração com os episcopados dos Estados Unidos e do Canadá.

A líder pró-vida compartilhou o painel “Experiência de obras de misericórdia nas Américas” com o Pe. Renato Poblete, do ‘Hogar de Cristo’ (Chile), o Irmão Hans Stapel, da Fazenda da Esperança (Brasil), Dom José Luis Azuaje, da Cáritas Latino-americana, e Andrew Walther, Vice-presidente de Comunicações dos Cavaleiros de Colombo, que participou em nome do CEO desta organização, Carl Anderson.

Thorn disse que embora a Organização Mundial da Saúde indique que a cada ano há 40 ou 50 milhões de abortos em todo mundo, na verdade, “o número total de mulheres que praticam um aborto é desconhecido, mas se trata de uma ferida generalizada que clama pela misericórdia de Deus”. “A ferida do aborto é a de uma mãe que perdeu o seu filho de uma maneira traumática e antinatural. É um fenômeno global”, assinalou.

A fundadora do Projeto Raquel criticou que os promotores do aborto falem da síndrome pós-aborto “como de um simples procedimento médico”; entretanto, as mulheres que abortaram “vivem uma grande confusão pela profundidade do seu padecimento” e muitas, “embora não provenham de uma tradição religiosa, chegam a acreditar que cometeram um pecado imperdoável”.

Mas o aborto também afeta os pais, que “feridos pela perda de um filho, com frequência se afastam da Igreja” e caem em comportamentos arriscados. Tanto homens como mulheres precisam ser ajudados”, afirmou.

Nesse sentido, recordou as palavras de São João Paulo II na Evangelium Vitae, na qual expressa às mulheres que abortaram a proximidade da Igreja que “sabe quantas condicionantes podem ter pesado sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, esta decisão foi dolorosa, e mesmo dramática”; por isso as anima a não se deixar vencer pelo desânimo e pela esperança, mas sim confiar seus filhos a Deus e a sua misericórdia.

Por isso, destacou a importância do Projeto Raquel, que desde 1984 sai “ao encontro de homens e mulheres para que, através de uma ligação telefônica e um e-mail, possam encontrar um ponto de referência para receber cuidado e, sobretudo, a um grupo muito preparado de Confessores, profissionais da saúde mental, diretores espirituais” e outras pessoas dispostas a acompanhá-los em um processo de cura.

“A maioria das dioceses dos Estados Unidos contam com um centro de atenção, mas é necessário desenvolver planos para divulgar mais que existe este tipo de ajuda. Com o passar do tempo, além disso, grupos católicos chegaram a construir em cemitérios católicos espaços dedicados aos não nascidos” e, além disso, “muitas mulheres puderam se encontrar com a misericórdia e o perdão através do Sacramento da Confissão”.

Thorn assegurou que este ministério “é um bom exemplo do modelo de Igreja como ‘hospital de campanha’” e que “os resultados desta cura são muitos”.

“As pessoas feridas não são apenas curadas e libertadas através do cuidado compassivo da Igreja e do retorno à participação de uma vida sacramental; aqueles que não conheciam a Igreja e se aproximam procurando ajuda, em muitos casos, também terminam abraçando-a. E o mais importante é que as pessoas curadas jamais apoiam novamente o aborto e, de fato, trabalham diligentemente para defender a vida. São elas que darão fim ao aborto!”, expressou.

Para mais informação sobre o Projeto Raquel, acesse:

http://www.projetoraquel.org.br/