Em declarações à televisão suíça, o purpurado reitera que o terror na Síria e no Iraque não questiona o diálogo inter-religioso, mas reforça a necessidade de promovê-lo

ROMA, 11 de Setembro de 2014 (Zenit.org) – “As bases ideológicas da milícia terrorista e do grupo Estado Islâmico não têm nada a ver com a religião muçulmana”, declarou em 2 de setembro o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, em um programa de televisão suíço. “Trata-se de uma perversão grosseira da religião”.

As declarações do cardeal foram reproduzidas pelo boletim “Bonne Nouvelle”, dos evangélicos do cantão de Vaud.

Koch afirmou que “o terror na Síria e no Iraque não questiona o diálogo inter-religioso. Pelo contrário, deveria promovê-lo”. Ele acrescentou que, hoje, 80% das pessoas perseguidas no mundo são cristãs.

Existem perseguições mais intensas do que nos primeiros séculos do cristianismo, explicou o cardeal, e o Iraque, neste sentido, é uma exceção, porque não são só os cristãos que estão sendo perseguidos, mas todas as outras minorias religiosas, inclusive dentro do próprio islã.

Koch declarou também que quanto mais se respeitarem os direitos humanos, em particular o direito à liberdade religiosa, mais as pessoas das diversas religiões aprenderão a viver juntas. A religião, por isso, não deve ser relegada ao âmbito privado, mas ser um tema público.

Poucos dias antes, o cardeal Koch tinha escrito no jornal vaticano L’Osservatore Romano, em referência ao califado, que não se entende por que alguns massacres são chamados de “shoah” ou de “holocausto” e não se usa o mesmo termo para outros, considerando-se que o holocausto inclui todas as categorias que o nazismo considerava “indesejáveis”.