O arcebispo de Yangon celebra a Missa conclusiva do 51º Congresso Eucarístico Internacional de Cebu

 

1 fevereiro 2016 – Ásia e África lutam pela sobrevivência de famílias pobres, oprimidas. As nações ricas desviaram a atenção da pobreza e da opressão, falando de novas formas de família, de novas formas de paternidade. Mais ainda da bomba atômica, do terrorismo, um perigo mortal se aproxima de toda a humanidade, porque algumas nações escolheram o caminho da destruição da família através das leis”.

O Cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Yangon e legado pontifício, fez uma dura crítica na homilia da Missa Conclusiva do 51º Congresso Eucarístico Internacional, que se realizou em Cebu (Filipinas) do 25 ao 31 de janeiro. Centrado no tema “Cristo em vós, esperança da glória”, o evento – relata a agência Asia News – foi a oportunidade de tratar o tema da evangelização e da missão não só na Ásia, mas em todo o mundo.

O cardeal condenou vigorosamente aqueles que ameaçam a base da vida e da união familiar; exaltando, ao mesmo tempo, o papel das Filipinas como farol da evangelização pelo terceiro milênio. “A Eucaristia é semeada dentro da família – explicou – e brota no seu interior. A família é o lugar da primeira comunhão. A família é o núcleo primário da Igreja” e é o lugar no qual “cada dia se parte o pão”. Por isso, adverte, “deve ser protegida, promovida e alimentada”.

O cardeal recordou as três principais preocupações manifestadas pelo Papa Francisco nos últimos três anos que dizem respeito ao mundo inteiro: família, injustiça ambiental, injustiça econômica. “Mas, o maior perigo para a humanidade hoje – disse – é a destruição da família. Infelizmente, também no seio da Igreja católica há dificuldades em compreender o terrível perigo que a família está correndo”.

“A vossa integridade familiar é forte”, acrescentou dirigindo-se aos filipinos, “vocês têm a menor taxa de divórcio da região. Muitas nações ricas têm dinheiro, mas não têm famílias. E, em segundo lugar, o número de jovens. Que são uma benção!”.

Ilustrando, então, a semana de encontros e reflexões que acabaram de terminar, o arcebispo de Yangon recordou que “somos de muitas nações, falamos várias línguas. Mas, como no dia de Pentecostes, a Eucaristia reforça as nossas relações”. Este é um momento “de Graça”, reforçado pela hospitalidade das Filipinas e dos seus habitantes, que o prelado birmano define “apóstolos do sorriso”.

Justamente na homilia, a prelado birmano destacou a centralidade das Filipinas na missão do terceiro milênio. À única nação asiática com maioria católica, adverte o prelado, destinada à “glória, prosperidade e espiritualidade”, resta a missão de “ser luz não só para a Ásia, mas para o mundo inteiro”.

“As Filipinas – disse – precisam de esperança. A Igreja precisa de esperança. As nossas famílias precisam de esperança. O mundo de hoje tem grande necessidade de uma palavra de quatro letras: Hope (esperança)”. Neste sentido “a maior nação católica da Ásia é portadora de grande esperança”; apesar dos desafios como “pobreza, insegurança, migração”, ela “possui grandes potencialidades para todo o mundo católico”.

Em conclusão, o Cardeal reiterou “a centralidade” da Eucaristia que é a “fonte e ápice do vosso compromisso de vida”. “Devemos sentir-nos revigorados pela teologia da Eucaristia”, concluiu, “recordando-nos sempre que a Primeira Eucaristia foi celebrada por um homem condenado, um homem sem poderes, um homem cujo coração “era “estava em alvoroço”. No entanto, “o poder da Eucaristia corria por aquelas mãos vazias. E continua a inspirar-nos. A Eucaristia é verdadeira presença, a Eucaristia é missão, a Eucaristia é serviço”.