Economistas Stefano e Vera Zamagni apresentaram em Lisboa uma obra centrada no mundo do trabalho

 

Lisboa, 21 nov 2014 (Ecclesia) – Os economistas italianos Stefano e Vera Zamagni estiveram esta quinta-feira em Lisboa para apresentarem a sua obra conjunta “Família e Trabalho: oposição ou harmonia”.

A iniciativa, acompanhada pela Agência ECCLESIA, decorreu na AESE Business School – Escola de Direção e Negócios, o casal sublinhou a necessidade de uma nova “ordem” de relacionamento entre o mundo laboral e a família.

Para Stefano Zamagni, “a família é hoje um alvo a abater na sociedade ocidental”, estando sob ataque não só a nível “económico” mas também “político e cultural”.

Uma realidade que no futuro poderá ter grandes implicações, alerta o professor da Universidade de Bolonha, uma vez que a família é o “sustentáculo” de toda a sociedade, a primeira e grande fonte de “felicidade” para as pessoas.

No que toca ao mundo laboral, “a ideia que ainda subsiste, de que a família é um entrave ao crescimento e produtividade das empresas, pertence ao passado, uma ideia nascida da revolução industrial que já não tem lugar hoje”, frisa Stefano Zamagni.

“É preciso abraçar a noção de uma responsabilidade familiar corporativa”, onde os empregados sejam olhados não como meios para um fim mas como “um bem” a cuidar para melhor atingir esse fim.

“Esta será a melhor forma de aumentar a produtividade, porque pessoas que estão felizes, que vêm a sua empresa ter em conta a sua vida pessoal, a sua família, tendem a tornar-se mais produtivas, inovadoras, criativas”, complementa o professor italiano.

Stefano Zamagni fez parte do grupo de especialistas que colaborou com o Papa emérito Bento XVI na elaboração da encíclia “Caritas in Veritate”, publicada em 2009.

Um documento onde Joseph Ratzinger sublinha a necessidade de cada Estado promover políticas que salvaguardem “a centralidade e a integridade da família, fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher, célula primeira e vital da sociedade”.

De acordo com o economista italiano, “atualmente a única entidade que a nível mundial fala a favor da família é a Igreja Católica”.

“O facto dos Papas João Paulo II e Francisco terem dedicado os seus primeiros sínodos à questão da família não foi por acaso, foi porque eles – e o Papa Bento XVI também – percebiam muito bem que destruir a família é colocar em causa o futuro da humanidade”, aponta o docente.

O Papa Francisco já confirmou a sua presença no Encontro Mundial de Famílias que vai decorrer na cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos da América, em setembro de 2015.

Stefano Zamagni está convicto de que o Papa italiano irá aproveitar este evento para “deixar não apenas uma declaração de força mas um programa de ação em ordem a que os católicos contribuam, a diferentes níveis, cultural, político, e económico”, para a preservação da família.

Agência Ecclesia