Conferência internacional promovida pela Fundação Centesimus Annus refletirá sobre os problemas do desenvolvimento humano à luz da doutrina social.

Vaticano, 21 de Maio de 2015 (ZENIT.org)

Repensar as principais características da vida econômica e social é a proposta da conferência internacional promovida pela Fundação Centesimus Annus – Pro Pontifice, de 25 a 27 de maio, na Sala Nova do Sínodo (Cidade do Vaticano) e no palácio da Chancelaria (Roma).

“Com este encontro, a Fundação continua o seu trabalho de oferecer conteúdo bem definido e profundo para indicar uma estrada viável dentro das reformas necessárias na economia de mercado, a partir da perspectiva de uma economia a serviço do desenvolvimento humano”, disse Domingo Sugranyes Bickel, presidente da Fundação, apresentando os objetivos da reunião deste ano. “Essas temáticas, para ser totalmente desenvolvidas, exigem reflexão e inspiração fundamentadas na fé”.

A conferência, intitulada “Rethinking Key Features of Economic and Social Life”, abordará três temas relacionados com algumas das principais características das mudanças sociais e econômicas em andamento.

O primeiro tema (“Pode haver crescimento contínuo sem consumo compulsivo?”), muitas vezes citado pelo papa Francisco, é o do consumo e da economia denunciada como “do descarte”. A Fundação coloca estes questionamentos em termos econômicos. Na Europa, é urgente a recuperação do consumo para a criação de postos de trabalho; mas podemos desenvolver simultaneamente e sem contradições a crítica ao consumo voraz e a necessidade de novos empregos? O tema é econômico, mas também cultural e psicológico, porque, numa economia de mercado, vêm em primeiro lugar os consumidores, as famílias, os grupos de opinião que determinam a demanda e, depois, aquilo que, por conseguinte, as empresas produzem e vendem. Já estamos vendo, no entanto, uma evolução da opinião pública que prepara uma grande mudança em direção ao crescimento vigoroso, mas também focado no conteúdo e na qualidade do que é consumido. Para enquadrar melhor a questão, é também necessário refletir tanto sobre o poder da publicidade quanto sobre o papel de exemplo das famílias e das instituições de educação cristã.

O segundo tema (“O futuro do emprego e da economia informal”) se relaciona com o fenômeno constante da informalidade econômica, que é majoritária nos países pobres, mas que está presente também nas economias ricas, formando um setor multifacetado: é o caso das atividades de serviço doméstico, por exemplo. Como lidar com esta realidade pouco abordada nos países ricos? Como proteger os direitos legítimos de todos e reconhecer a dignidade de quem não tem acesso a um local de trabalho formal?

O terceiro tema (“Uma mensagem urgente para o mundo de hoje: a doutrina social católica pode ser abraçada pelos não cristãos?”) é de especial interesse para quem reconhece a validade do pensamento e da capacidade propositiva dos princípios da doutrina social da Igreja, mas vive num ambiente de maioria não crente ou no qual toda referência religiosa é considerada “sectária”. Neste caso, as perguntas são as seguintes: por que nós, católicos, não sabemos ser mais convincentes? Por que, porém, muitos ouvem e entendem quando é o papa Francisco quem fala? Os obstáculos são internos, dependem da nossa falta de humildade e sinceridade, ou se devem a uma eventual insuficiência no desenvolvimento científico e prático das ideias que inspiram a Igreja nas questões sociais?

Foi com isto em mente que a Fundação Centesimus Annus – Pro Pontifice criou o prêmio internacional “Economia e Sociedade”: para reconhecer as obras que representam avanços no desenvolvimento e na aplicação da doutrina social. O prêmio é bienal e, neste ano, será entregue ao economista católico francês Pierre de Lauzun por seu livro “Finance: un regard chrétien – De la banque médiévale à la mondialisation financière”, e a Arturo Bellocq Montano, do Uruguai, e Alexander Stumvoll, da Áustria, por duas teses de doutorado ainda não publicadas.

Os participantes da conferência são profissionais, empresários, professores e executivos. Entre os palestrantes, estão o prof. Enrico Giovannini, ex-ministro italiano do Trabalho; Paul Kenny, um dos principais líderes sindicais britânicos; o reitor da prestigiosa Kellogg School of Management, de Chicago, Sally Blount; dom Silvano Tomasi, representante da Santa Sé na sede suíça das Nações Unidas; o pe. Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica; o prof. Franco Gallo, ex-presidente do Tribunal Constitucional italiano, e vários outros especialistas de diversos países.

A cerimônia de entrega do prêmio internacional “Economia e Sociedade” terá o cardeal Reinhardt Marx como presidente do júri e o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, como presidente da sessão.