David Daleiden, que fingiu ser comprador de fetos, por mais de dois anos entrou na grande indústria do aborto e assistiu as práticas macabras. Tudo isso por “vocação” …

 

Roma, 13 de Agosto de 2015 (ZENIT.org) – Partes do corpo de fetos abortados vendidas como se fossem mercadoria. Há um mês desde que saiu o primeiro vídeo que incriminou a maior provedora de aborto dos Estados Unidos – a Planned Parenthood – o escândalo já é agora de domínio público no mundo inteiro. E o crédito por expor essa realidade terrível, é do jovem de 26 anos, David Daleiden.

Pertencente à ONG Center for Medical Progress, este jovem se armou com uma câmera e por dois anos e meio filmou os bastidores da Planned Parenthood. A sua pesquisa jornalística, que chamou de “Capital Humano”, produziu 12 vídeos. Até agora foram divulgados 5 porque os outros receberam uma proibição judicial a pedido de uma outra empresa envolvida, a StemExpress, sociedade californiana que fornece tecido fetal aos pesquisadores.

Entrevistado pelo jornal National Catholic Register, Daleiden falou sobre sua iniciativa e sua fé católica. Confidenciou que a sua fé foi surgindo gradualmente através do trabalho em favor da vida que desempenha no Center for Medical Progress. O jovem explicou que ele mesmo é “filho de uma gravidez difícil”: sua mãe ficou grávida, ainda solteira, durante o primeiro ano da faculdade. O matrimônio entre os seus pais aconteceu quando ele tinha nascido. Ele se considera um “sobrevivente do aborto”, como de fato – continua – são todos os americanos “nascidos depois de 1973”, ano em que o aborto foi descriminalizado nos Estados Unidos.

Teria sido, talvez, por causa desta experiência de dificuldade da mãe durante a gravidez que, de fato, Daleiden decidiu iniciar sua militância entre os grupos pró-vida quando ainda era muito jovem, quase quinze anos. Continuou por anos a conjugar a atividade escolástica com aquela a favor dos nascituros, até amadurecer a consciência, juntamente com a maturidade religiosa, que esta sua atitude fosse uma vocação. “Tinha uma paixão pela atividade pró-vida, e logo ficou claro que isso era o que Deus queria que fizesse”, declara.

Falando do seu jornalismo investigativo, Daleiden afirma que ter entrado no coração da indústria do aborto e ter assistido a tais operações, “foi a coisa mais difícil” que teve que suportar. O seu testemunho contradiz aqueles que acreditam que alguns lugares são inacessíveis para a maioria. “Falamos as ‘palavras mágicas’, ou seja, que queríamos comprar algumas partes de fetos – explica – , e assim tivemos acesso aos mais altos níveis da Planned Parenthood”.

Daleiden ficou surpreso com a atitude dos médicos que realizam estas operações. Ele explicou que vivem uma situação “conflitiva”, procuram “racionalizar” o trabalho que realizam para exorcizar “a dor e o remorso que, na verdade, sentem”. Falou que um dos médicos com o qual conversou, tinha os “olhos molhados” enquanto falava os detalhes do procedimento para a remoção por aspiração das partes do corpo dos fetos.

Um movimento de repulsa por uma atividade que evidentemente afeta a consciência humana, mas que prestigiosas empresas realizam normalmente. Daleiden move a este respeito uma chocante acusação. Afirma que um dos principais executivos de uma empresa envolvida no escândalo lhe revelou em uma conversa que tinha recebido fetos “totalmente intactos”.

E considerando que os meios químicos utilizados para o aborto matam as células e fazem o feto inutilizável, o jovem pró-vida acredita que esses não eram fetos, mas crianças entregues vivas e assassinadas para comercializar os órgãos. “A maneira pela qual as crianças são mortas é uma questão jurídica, estamos falando de infanticídio: a delação é utilizada para cobrir as provas de uma atividade criminosa”. Com estas palavras Daleiden comenta a ação legal que ele moveu contra a sociedade que menciona.

Que a sua investigação tenha irritado alguém de cima é evidenciado pelas ameaças que constantemente está recebendo, com muitos avisos de perseguição. No entanto, Daleiden está pronto para continuar o seu compromisso a favor da vida. O medo pelas ameaças é compensado pelo apoio e admiração de muitos cidadãos americanos: se, até recentemente, acreditavam na propaganda da Planned Parenthood, depois de terem visto estes vídeos pedem às instituições intervenção para deter essa carnificina.

(13 de Agosto de 2015) © Innovative Media Inc.