Esta decisão provocou, de imediato, a ira do governo de Ancara que classificou a decisão como um “erro histórico”

 

3 JUNHO 2016 – O parlamento alemão aprovou ontem, quase por unanimidade, uma resolução em que classifica como genocídio o massacre de cristãos arménios por otomanos na Primeira Guerra Mundial.

Esta decisão provocou, de imediato, a ira do governo de Ancara que classificou a decisão como um “erro histórico”.

A resolução, de cinco páginas, mereceu o voto favorável de todas as bancadas do Bundestag – o parlamento alemão –, com excepção de um voto contra e de uma abstenção, e refere explicitamente o “genocídio de arménios e outras minorias cristãs nos anos de 1915 e 1916”.

De facto, calcula-se que entre 800 mil a 1,5 milhões de arménios tenham sido aniquilados e perseguidos durante o primeiro conflito mundial.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan já veio afirmar que “a resolução adoptada pelo parlamento alemão vai abalar seriamente as relações entre Alemanha e Turquia”.

Esta não é, porém, uma decisão inédita. Em 12 Abril do ano passado, o Papa Francisco também classificou como “genocídio” o massacre dos arménios, tendo recordado, na ocasião, outras duas “tragédias”: o nazismo e o estalinismo.

“No século passado, a nossa família humana passou por três tragédias sem precedentes. A primeira, que foi largamente considerada como ‘o primeiro genocídio do século XX’, atingiu o povo arménio”, disse então o Papa, na Basílica de São Pedro, recordando, na sua intervenção, “outras duas [tragédias humanas] praticadas pelo nazismo e o estalinismo. E, mais recentemente – acrescentou ainda –, outros extermínios em massa, como no Camboja, Ruanda, Burundi ou Bósnia.”

O genocídio dos arménios é reconhecido actualmente por mais de duas dezenas de países, nos quais não se inclui, porém, Portugal.

O termo genocídio foi definido pelas Nações Unidas, no final da II Guerra Mundial, como sendo um acto cometidos com a intenção deliberada de destruir, total ou parcialmente, um povo, grupo étnico, racial ou religioso. (Fundação AIS)