Durante a audiência geral, o Papa Francisco reitera que as verdades fundamentais sobre o casamento não foram contestadas

Por Luca Marcolivio

 

ROMA, 10 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) – Durante a última assembleia sinodal, a discussão teve lugar na maior liberdade e as verdades fundamentais sobre família e o casamento não foram tocadas. Afirmou Francisco durante a audiência geral de hoje, que deu inicio a uma nova série de catequeses sobre a família, dois meses após a conclusão do Sínodo extraordinário sobre o mesmo tema.

Na abertura da audiência, o Santo Padre selou a conclusão do ciclo anterior, dedicado à Igreja: “Agradeçamos ao Senhor que nos fez percorrer este caminho redescobrindo a beleza e a responsabilidade de pertencer à Igreja, de ser Igreja, todos nós.”

Depois, Francisco agradeceu aos jornalistas pelo trabalho realizado “com abundância” sobre o Sínodo, lamentando, no entanto, a visão midiática “no estilo de crônicas esportivas ou políticas: falava-se muitas vezes de dois times, pró e contra, conservadores progressistas”.

Por isso, o Papa quis explicar como ele próprio experimentou a assembleia, durante a qual ele pediu aos padres sinodais “para falar com franqueza e coragem e escutar com humildade”, sem “censura prévia”.

A discussão, além disso, “não é uma coisa ruim”; os próprios apóstolos “repreendiam-se entre eles”, quando, por exemplo, “se procurava a vontade de Deus sobre os pagãos, se podiam entrar na Igreja ou não”. O essencial é que a discussão se faça “com humildade e com alma de serviço à assembleia dos irmãos.”

Especialmente depois do relatório inicial do cardeal Peter Erdo, houve um “momento de grande liberdade”, em que cada um dos padres sinodais pode expressar seus pensamentos “com parresia e confiança”.  Por isso, o Santo Padre agradeceu à Secretaria do Sínodo “pelo grande trabalho que fez, tanto antes como durante a Assembleia.”

“Nenhuma intervenção – acrescentou – colocou em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e abertura à vida”, reconhecidos e protegidos pelo Concílio Vaticano II (Gaudium et Spes, 48 ) e pelo Direito Canônico (1055-1056).

O Relatio post disceptationem, recordou o Papa, foi realizado em três pontos: “a escuta do contexto e dos desafios da família; o olhar fixo sobre Cristo e o Evangelho da família; o confronto com as perspectivas pastorais”.

No quarto momento uma comissão examinou “todas as sugestões que surgiram dos grupos linguísticos e foi feito o Relatório final”, que manteve o esquema anterior – “escuta da realidade, olhar ao Evangelho e empenho pastoral – mas procurou incorporar o fruto das discussões nos grupos” e, por fim, a mensagem final “mais breve e mais informativa do que o Relatório”.

Respondendo àqueles que perguntaram se, durante a Assembleia, o clima era ‘de briga’, Francisco disse: “Não sei se brigaram, mas que falaram forte, sim, é verdade! E esta é a liberdade, justamente a liberdade que há na Igreja”.

A Assembleia sinodal aconteceu “cum Petro et sub Petro, isso é, com a presença do Papa, que é garantia para todos de liberdade e de confiança, garantia da ortodoxia”. E terminou com a mensagem final, em que o Santo Padre fez sua “leitura sintética da experiência sinodal”.

Lembrando que o Relatório final foi enviado às Conferências Episcopais, para que se discuta em vista da Assembleia Ordinária, prevista para outubro de 2015.

O Santo Padre disse também que “o Sínodo não é um parlamento”, mas um “espaço protegido a fim que o Espírito Santo possa trabalhar”.

Além disso, destacou que “não houve confronto entre facções, mas um confronto entre os bispos, que veio depois de um longo trabalho de preparação e prosseguirá em outro trabalho, para o bem das famílias, da Igreja e da sociedade”: é um processo, é o “normal sinodal”.

Neste estágio intermediário entre o extraordinário e o ordinário, o Sínodo confia às igrejas particulares esse “trabalho de oração, reflexão e discussão fraterna”.

O Papa Francisco concluiu a catequese invocando a intercessão da Virgem Maria, para que ela “nos ajude a seguir a vontade de Deus tomando as decisões pastorais que ajudem mais e melhor a família” e pediu aos fiéis para “acompanhar este percurso sinodal até o próximo sínodo com a oração”.