Rio de Janeiro, 08 Mar. 16 / 03:15 pm (ACI).- Em vez de promover o aborto em casos de microcefalia como vem sendo feito por muitos abortistas, a “solução plausível” para esta epidemia de Zika – cujo vírus está sendo estudado para verificar se causa a malformação nos fetos – é combater o mosquito transmissor e dar a devida assistência às famílias que têm filhos com esta doença. Foi o que advertiu o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, em recente artigo sobre “A microcefalia e o aborto”.

 

No texto, publicado nesta terça-feira, o Purpurado alerta que o atual debate sobre a possível relação de causalidade entre o Zika vírus e a microcefalia “merece nossa atenção, pois há quem, diante dessa dramática situação, em vez de se propor a eliminação do ‘mosquito da dengue’ […], a investigação das causas da microcefalia em série em alguns pontos do país ou o acompanhamento das crianças acometidas pelo problema e de suas mães, quer eliminar essas crianças no ventre materno por meio do aborto provocado”.

Entretanto, ressalta que tal pratica de eliminação de uma vida é pecado e “uma afronta à Biologia, ciência capaz de demonstrar que há vida a partir da concepção”. O Cardeal, então, cita algumas definições científicas.

Referindo-se ao livro “A favor da vida”, que ainda será publicado, mas lhe foi cedido para escrever o artigo, Dom Orani sublinha que “a vida é ‘a soma de propriedades pelas quais um organismo cresce, reproduz, e se adapta ao seu ambiente; a qualidade através da qual um organismo difere de corpos inorgânicos ou organicamente mortos’”.

Além disso, acrescenta, “a vida é vida, porque não é um corpo inorgânico e nem um corpo organicamente morto (é óbvio)”.

Outra definição à qual se refere “diz que vida é ‘a propriedade ou qualidade por meio da qual organismos vivos são distinguidos dos organismos mortos em três categorias: (1) vivo, (2) morto (vivo anteriormente) e (3) inanimado/-inorgânico’”.

Detalhando tais definições, o Purpurado assinala que “a maneira mais simples (e óbvia) de provar que o nascituro é vivo se dá mediante a seguinte observação: o óvulo da mulher e o espermatozoide do homem são células vivas e se unem dando origem a um ser vivo da mesma espécie humana. A prova de que há vida é que essas duas células, logo que se fundem (é uma nova vida), se reorganizam, crescem e continuam a ter todas as propriedades de uma célula viva”.

“Portanto, contra a tese abortista, o bebê está vivo”, ressalta o Cardeal, completando que o bebê “não é nem morto (se fosse morto, o organismo feminino o expeliria pelo aborto espontâneo ou daria sinais de mal-estar e levaria a mulher a buscar ajuda médica) e nem é inanimado/inorgânico (se fosse, nunca poderia nascer vivo)”.

Além disso, “um ser morto ou inanimado não realiza divisão celular”, recorda Dom Orani, sublinhando que “os bebês, além de nadarem e se locomoverem no útero da mãe vivenciam uma taxa bem alta de divisão celular (41 das 45 divisões que ocorrem na vida de um indivíduo)”.

“Por tudo isso que acabamos de expor, vê-se que o bebê é um ser vivo e defender o aborto é promover o homicídio”, constata.

Ele ainda recorda palavras do geneticista francês, Dr. Jérôme Lejeune, segundo quem “A vida começa no momento em que toda a informação necessária e suficiente se encontra reunida para definir o novo ser”. Portanto, conforme explica o cientista, a vida “começa exatamente no momento em que toda a informação trazida pelo espermatozoide é reunida à informação trazida pelo óvulo”.

Diante dessas explicações, o Arcebispo do Rio de Janeiro rechaça categoricamente as propostas de aborto levantadas em resposta à epidemia de Zika vírus.

“A única solução plausível à questão é combater até a erradicação o ‘mosquito da dengue’, como é popularmente conhecido o aedes aegypti, oferecer tratamento médico decente e adequado às crianças com microcefalia e às suas mães. A estas, especialmente no plano psicológico, bem como investigar seriamente a real causa do problema”, analisa.

Para o Cardeal, “defender o contrário é pleitear um duplo assassinato: o físico da criança com microcefalia e o psíquico da mãe que, por seu natural instinto materno, nunca irá se esquecer de que seu filho, autêntico ser humano, foi morto por ter uma má-formação para a qual pode não haver cura, mas há tratamento capaz de levá-lo à melhora da qualidade de vida”.

Dom Orani acrescenta ainda que “defender o homicídio no ventre materno neste momento de nossa história é dar provas de um sistema político-sanitário sucateado que se vê incapaz de atender questões básicas de higiene a seus cidadãos pagadores de impostos, sem falar no seletismo escondido nessa ideia eugenista a nos dizer: ‘só os saudáveis merecem viver, os demais não merecem’”.

Ao concluir, o Cardeal destaca que a Igreja diz ‘não’ a essa ideia abortista, “mas reafirma o Sim à Vida, mesmo se isto Lhe custar críticas e/ou perseguições ferrenhas, Ela não trairá o Senhor Jesus que veio para que todos tenham vida e a tenham plenamente (cf. Jo 10,10)”.