2017-01-30 Rádio Vaticana – “Embora ao longo dos anos temos assistido a um notável crescimento da fé cristã no Quénia, também nunca faltaram os desafios. Os quenianos têm sido vítimas de ataques terroristas por parte dos extremistas islâmicos, os quais tomaram principalmente os cristãos como alvos”.

 

Dom Paul Kariuki Njiru, bispo da Diocese queniana de Embu, em conversa com AIS-Itália descreve assim, em síntese, as luzes e sombras que a comunidade cristã daquela nação africana está a enfrentar. Depois de ter recordado os “bárbaros ataques” no Centro Comercial Westgate de Nairobi (2013), na Universidade de Garissa (2015) e, mais recentemente, o ataque na província de Mandera (2016), o prelado observou que “só se atacam os cristãos a fim de colocar uma espécie de “cunha” entre os próprios cristãos e os muçulmanos”, tentando fazer parecer estes últimos como “simpatizantes do al Shabaab”. Isto constitui uma “situação muito perigosa, que facilmente pode causar conflitos religiosos”. Por esta razão, para o episcopado católico do Quénia “o diálogo com os líderes cristãos e muçulmanos no Quénia é primária importância para assegurar uma denúncia comum e corajosa da violência, especialmente a que é cometida em nome de Deus”.

Maior risco para as dioceses que confinam com a Somália.

Segundo Dom Kariuki Njiru “o governo está fazendo o melhor que pode para garantir a segurança. Os ataques não se verificam em todas as partes do território queniano. Na minha diocese de Embu, por exemplo, não houve ataques, mas a situação é muito diferente nas dioceses que confinam com a Somália, ou naquelas do norte e nordeste. Estas áreas estão mais expostas a ataques terroristas, e nelas o Estado tem intensificado os controles. Os lugares de culto são geralmente supervisionados. Mas apesar destas iniciativas louváveis levadas a cabo pelas autoridades os ataques ainda se verificam”.

Programa do governo para a segurança das áreas urbanas.

Por este motivo, observou o Prelado, “a segurança não pode ser confiada apenas às autoridades do Estado. Os próprios quenianos tornaram-se mais conscientes e alertam a polícia de qualquer pessoa que possa representar uma ameaça. O governo, de facto, lançou um programa para as áreas urbanas, chamado “nyumba kumi”, que em kiswahili significa literalmente “dez casas”. Tem como objectivo responsabilizar os cidadãos, envolvendo-os em questões relacionadas com a sua própria segurança. Cada qual deveria, de facto, conhecer os vizinhos presentes em pelo menos ‘dez casas’ e, se for notada alguma pessoa suspeita, é assinalada às autoridades”.

Em muitas dioceses por causa da seca escasseiam alimento e água.

Mas não são apenas problemas de segurança. Apesar da Igreja no Quénia “estar a aprender a ser autónoma”, há dioceses que “precisam de ser apoiadas. São aquelas que se encontram em áreas desérticas ou semidesérticas. Metade da minha diocese, Embu, é semidesértica. Os cristãos destas regiões, apesar da boa vontade para sustentar a Igreja, não estão em condições de o fazer, porque devido à seca também eles carecem de comida e água”. Por estas razões, Dom Kariuki Njiru conclui com um pensamento dirigido aos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre, manifestando apreço pelo “trabalho e as iniciativas da Fundação pontifica que no Quénia tem realizado projectos para um total de cerca de 850 mil euros. (BS)

(from Vatican Radio)