Eduardo Soriano explica que não são «uma banda de rock», mas uma referência à «família construída sobre a rocha»

Foto Ricardo Perna/Família Cristã, Eduardo e Mónica González Soriano

Cidade do Vaticano, 24 jun 2022 (Ecclesia) – O casal espanhol Eduardo e Mónica González Soriano, da Pastoral Familiar da Diocese de Toledo, apresentou o projeto ‘Family Rock’ dedicado ao acompanhamento pós-matrimónio, no Congresso Teológico Pastoral do X Encontro Mundial das Famílias.

“Utilizamos este nome não por sermos uma banda de rock, mas sim uma referência à família construída sobre a rocha. Então, de uma forma juvenil, simples e atrativa, tratamos de chegar aos recém-casados, com materiais que enviamos por correio eletrónico, para que possam receber e fazer em família o que propomos”, explicou Eduardo Soriano, esta quinta-feira, em declarações à Agência ECCLESIA.

Mónica González Soriano acrescenta que o projeto tema como base o capítulo 6 da exortação sobre a Família ‘Amoris Laetitia’, adiantando que quando foi publicado este documento do Papa Francisco (8 de abril de 2016), começaram a trabalhar todo este capítulo e a produzir material para o projeto.

Segundo a entrevistada o projeto é enviado a todos os casais que frequentam os cursos de preparação para o matrimónio na Diocese espanhola de Toledo, e depois vão recebendo mensalmente, mas “o ideal” é a criação de grupos com esses casais para que o caminho continue.

“Temos testemunhos de casais que foram salvos por este acompanhamento, que perceberam que o que se passava com eles era normal, e que não estavam sós”, assinala, referindo que têm “muito” feedback.

Eduardo Soriano acrescenta que já se criaram vários grupos a partir do ‘Family Rock’, e estão contentes porque sabem que “não seriam os mesmos se não fossem acompanhados”.

Neste contexto, assinala que os cursos pré-matrimoniais – o Curso de Preparação para o Matrimónio (CPM), por exemplo -, “são extremamente importantes”, mas em Toledo identificaram um “problema”, os casais quando de casavam “iam” muito contentes.

“Sentimos que os casais jovens estão muito sozinhos na Igreja, queremos incorporar-nos, mas o que existe são grupos de casais mais velhos, e encontrámo-nos muito sós. É muito importante acompanhar, porque são anos muito delicados e a estatística diz que 50% dos divórcios acontecem nos primeiros cinco anos, e este número está a aumentar”, desenvolveu Mónica González Soriano, lembrando que os casais “cria um projeto comum” e encontra questões como “famílias de origem, a economia familiar, a educação dos filhos, ou coisas como a infertilidade, abortos, outras doenças”.

O casal que apresentou este projeto de acompanhamento no X Encontro Mundial das Famílias, que está a decorrer em Roma e em todas as dioceses católicas no mundo até domingo, explica que num primeiro momento, “é difícil abrir o coração” e “é preciso que haja outros momentos mais informais, de convívio”, mas quando se vê que o casal ao “lado passou pelo mesmo”, não há “nenhum problema em falar com eles”.

Segundo Mónica González Soriano, “é muito importante” que, nas paróquias, os sacerdotes e os casais mais velhos “convidem constantemente estes casais mais jovens”, que aproveitem as festas – batismos dos filhos, as Primeiras Comunhões – para poderem chamar e convidar “a ficarem na Igreja e a participarem”.

“Há que evangelizar, sair à rua, levar o nosso rosto de felicidade do matrimónio”, destacou Eduardo Soriano, da Diocese de Toledo (Espanha).

CB

Reportagem em Roma no âmbito do X Encontro Mundial das Famílias resulta de uma parceria entre a Agência Ecclesia, a Família Cristã, o Diário do Minho e a Associação de Imprensa de Inspiração Cristã