SANTIAGO, 24 Mai. 16 / 03:00 pm (ACI).- Um grupo de 61 freiras de clausura de seis mosteiros de Santiago, no Chile, fez uma visita histórica ao Centro Penitenciário Feminino desta capital, onde celebraram com as internas o Jubileu da Vida Contemplativa, por ocasião do Ano da Misericórdia.

 

“Não sei se nos mais de 400 anos da história de Santiago, as irmãs contemplativas de diversos mosteiros se encontraram em outra ocasião para celebrar a Eucaristia com um grupo de mulheres que estão presas, mas que são irmãs na fé”, disse o Arcebispo de Santiago, Cardeal Ricardo Ezzati, na Missa celebrada no centro penitenciário no último dia 23 de maio.

O Cardeal afirmou que se trata de um encontro “para que as irmãs que contemplam o rosto de Deus todos os dias na oração, possam contemplá-lo também no rosto de pessoas que estão sofrendo, passando por um momento difícil em suas vidas”.

 

 “As Irmãzinhas de clausura são os braços levantados da cidade para interceder ante Deus por todos nós, especialmente pelos que mais sofrem”, sustentou.

O Arcebispo agradeceu ao vigário para a Vida Consagrada, Dom Jorge Concha, a iniciativa de celebrar o Jubileu da Vida Contemplativa no centro penitenciário e assinalou que Deus está presente “dando-nos a dignidade de filhos, sempre disposto a acolher-nos com seu amor”.

“Busquemos Deus, abramos o coração para que neste coração humano, frágil, pecador, possamos descobrir a presença misericordiosa de Deus, nosso Pai; de Deus Filho e de Deus Espírito Santo”, exortou o Cardeal Ezzati.

Depois da Eucaristia, as religiosas cantaram uma música típica chilena à Virgem e, para surpresa dos presentes, quatro delas começaram a dançar. Em seguida, foram ao pátio do centro penitenciário onde continuaram compartilhando com as internas.

Para a irmã Maria Rosa, das Carmelitas Descalças do mosteiro São José, foi “uma graça compartilhar com elas, me senti muito irmã, senti a dor e a alegria de cada uma delas”.

“Chama a atenção que este encontro seja realizado no dia da Santíssima Trindade. Isso significa que Deus habita em cada alma”, disse a religiosa à equipe de Comunicações da Arquidiocese de Santiago.

Por outro lado, Railín, uma das internas, assegurou que “foi bom que viessem e que rezassem por nós. É um apoio que elas e os bispos venham, nós necessitamos que muitas pessoas nos visitem”.

Ana Chacón, outra interna, assinalou que as religiosas “nos dão o espírito do Senhor, é uma bênção que elas nos visitem aqui. O fato de vê-las dançando um ritmo típico do país é algo novo”.