Ahmad Al-Tayyib, em uma entrevista concedida exclusivamente aos meios de comunicação do Vaticano, expressa impressões e esperanças após a audiência com o Papa no Vaticano

 

24 MAIO 2016 – “Estou feliz por ser o primeiro Xeique de Al-Azhar que visita o Vaticano e se senta com o Papa em uma sessão de discussão e de diálogo”, disse Ahmad Al-Tayyib na entrevista exclusiva à Rádio Vaticano e L’Osservatore Romano imediatamente após a audiência de ontem com o Pontífice no Palácio Apostólico. Audiência que marcou a definitiva retomada das relações entre a Santa Sé e a prestigiada instituição sunita egípcia, interrompida em 2011 “por uma série de circunstâncias”.

O Xeique descreveu as primeiras impressões recebidas pela pessoa do Pontífice: “um homem de paz”, disse, “um homem que segue o ensinamento do cristianismo, que é uma religião de amor e de paz”; um homem “que respeita as outras religiões e demonstra considerações pelos seus seguidores”, que “consagra também a sua vida para servir os pobres e os miseráveis e que assume a responsabilidade com as pessoas em geral”. Um homem “ascético”, acrescentou o imã, que “renunciou aos prazeres efêmeros da vida mundana”.

“Nós sabemos – afirma, de fato Al-Tayyib – que todas as filosofias e ideologias sociais modernas que tomaram as rédeas da humanidade distante da religião e distante do céu falharam na tarefa de fazer feliz o homem e de leva-lo para longe das guerras e do derramamento de sangue”. Chegou, então, o momento para os representantes das Religiões Divinas “de participar fortemente e concretamente para dar à humanidade uma nova orientação para a misericórdia e a paz, para que a humanidade possa evitar a grande crise que estamos sofrendo agora”.

De acordo com o líder sunita, de fato, “o homem sem religião é um perigo para o seu semelhante, e eu acho que as pessoas agora, neste século XXI, começaram a olhar ao seu redor e a procurar os guias sábios que a possam guiar na direção certa”. Tudo isso, afirma, “nos levou a este encontro e a esta discussão e ao acordo para começar dar o passo certo na direção certa”.

“Sim, o terrorismo existe, mas o Islã não tem nada a ver com esse terrorismo e isso se aplica aos muçulmanos Ulema e aos cristãos e muçulmanos no Oriente. E os que matam os muçulmanos, e matam também os cristãos, entenderam mal os textos do Islã, seja intencionalmente ou por negligência”.

“A questão não deve ser apresentada, portanto, “como uma perseguição contra os cristãos no Oriente, pelo contrário, há mais vítimas muçulmanas que cristãs, e nós todos sofremos juntos esta catástrofe”, disse.

Nesta perspectiva, a universidade lançou um importante trabalho de renovação dos manuais escolares, destinados a esclarecer os conceitos muçulmanos “desviados daqueles que usam violência e terrorismo e dos movimentos armados que pretendem trabalhar pela paz”. Na mesma linha foi fundado um observatório mundial que realiza monitoramentos em oito línguas do “material divulgado por estes movimentos extremistas e pelas ideias envenenadas que desviam a juventude”.

Reiterando, finalmente, seus “sinceros agradecimentos”, Al-Tayyib conclui a entrevista expressando “a apreciação e a esperança de trabalhar juntos, muçulmanos e cristãos, Al-Azhar e o Vaticano, para elevar o ser humano onde quer que esteja, independentemente da sua religião e da sua crença, e salvá-lo da crise das guerras destrutivas, da pobreza, da ignorância e da doença “.