LISBOA, 02 Mai. 16 / 03:30 pm (ACI).- Denúncias recentes de organizações de defesa dos direitos humanos informam que mais de 300 cristãos devem estar atualmente detidos em prisões da Eritreia, onde sofrem com a prática de torturas.

 

Conforme assinala a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), os cristãos são uma das comunidades religiosas mais perseguidas na Eritreia, um país que foi classificado em relatório das Nações Unidas (ONU) de junho do ano passado como um “Estado autoritário”. Segundo o documento, é exercida enorme repressão sobre os cidadãos, negando-lhes os mais básicos direitos humanos, em que se inclui a prática religiosa.

Embora as informações sobre este país sejam escassas, o jornal britânico ‘The Guardian’ indicou que um antigo funcionário do governo da Eritreia seria o responsável por uma página no Facebook que denuncia as “violações de direitos humanos”.

Este antigo funcionário do governo fugiu do país com “uma série de documentos” que agora pretende ir revelando “aos poucos”. De acordo com o jornal, o seu objetivo é “expor os crimes” deste regime que já foi classificado como sendo a “Coreia do Norte da África”.

Tais críticas e denúncias vão no mesmo sentido das já proferidas pela ONU e por outras organizações como a Anistia Internacional (AI). Esta, por exemplo, afirma que o país liderado com mão de ferro por Isaias Afwerki se transformou num regime despótico em que existem prisões secretas com mais de 10 mil presos políticos.

A enorme violência que é exercida pelas autoridades e que atinge fortemente a comunidade cristã seria uma explicação para o enorme êxodo nos últimos meses, sendo que muitos dos que procuram abandonar o país têm caído normalmente nas malhas de traficantes humanos.

No relatório publicado em junho do ano passado por uma Comissão de Inquérito da ONU sobre os Direitos Humanos, é dito que “os cidadãos” da Eritreia “são controlados por um grande aparato de segurança que está presente em todos os níveis da sociedade”.

Nesse documento de 500 páginas, afirmam que “não é a lei que rege os eritreus, mas o medo”.

O relatório faz referência ainda a “violações generalizadas e brutais dos direitos humanos, que criaram um clima de medo onde qualquer tipo de oposição é reprimida”, sendo que “boa parte da população é submetida a trabalhos forçados ou à prisão”, o que permite explicar a existência de centenas de milhares de refugiados oriundos deste país.

Para as Nações Unidas, estes abusos, que incluem a violência e a perseguição aos cristãos, “podem ser considerados crimes contra a humanidade”.

Esta mesma situação de extrema violência foi denunciada pela Fundação ACN no relatório “Perseguidos e Esquecidos?”, elaborado a nível internacional sobre a opressão dos cristãos entre os anos de 2013 e 2015.

O documento cita expressamente a situação na Eritreia, que integra um grupo de países considerados como “críticos” e que se destacaram por isso “pelos piores motivos”.

Durante o período de tempo avaliado no relatório da ACN, foi publicada uma carta, por quatro bispos da Eritreia, onde, de forma indireta – não seria possível de outra maneira –, também denunciam a situação de perseguição que se vive no país.

Nesse documento, os prelados – Dom Mengsteab Tesfamariam, de Asmara, Dom Tomas Osman, de Barentu, Dom Kidane Yeabio, de Keren, e Dom Feqremariam Hagos, de Segeneiti – justificam o êxodo maciço de pessoas oriundas da Eritreia com a necessidade de “viverem em países pacíficos, com justiça, trabalho, onde se possam expressar livremente e em alta voz, países onde cada um possa viver do seu trabalho”.