VATICANO, 31 Mar. 16 / 08:00 pm (ACI).- Depois de ocupar um cargo de grande relevância em uma empresa multinacional, passou a ajudar os jovens e adolescentes na Venezuela. Esta é a história de Alejandro Marius, de 44 anos, casado e com quatro filhas. Com importantes responsabilidades na América Latina, em 2007 começou a se perguntar: “o que significa viajar tanto? ”.

 

“Comecei a pensar o que era ser esposo, pai, cidadão e amigo viajando tanto, em uma realidade que cada vez era mais complicada”, contou ao Grupo ACI coincidindo com uma visita ao Vaticano.

“Minha mulher me dizia que quando fazia algo relacionado à caridade, ajudando os outros, os meus olhos brilhavam” e isso “foi um bonito sinal”. Mas a mudança de vida também chegaria graças a algumas religiosas beneditinas de um mosteiro. “Ali conheci a experiência de São Bento de ‘Ora et labora’ (reza e trabalha) e isto me cativou”.

Em seguida, “refleti com elas acerca de como educar as pessoas para o trabalho” e, “ao invés do que acontece atualmente na Venezuela, onde muitos profissionais estão indo embora do país, eu renunciei a este cargo internacional para permanecer aqui”.

Pouco depois, criou Trabalho e Pessoa, uma associação civil sem fins lucrativos, baseada no humanismo cristão. “Fazemos projetos sociais a fim de educar para o trabalho aqueles que não têm oportunidade, principalmente jovens e mulheres”.

“É muito difícil dar o passo de deixar tudo para ajudar os outros se não entendemos o que é a vocação. Se pensamos que vale mais a pena o projeto que Deus tem para ti que seu próprio projeto, é fácil”, expressou Marius.

Alejandro Marius recordou que, “ao deixar de ganhar esse importante salário, tive que pensar durante um ano como fazer para pagar as coisas básicas para viver”.

O projeto também ajuda os jovens “para que se conheçam a si mesmos e descubram a vocação a qual Deus os chama, a missão que devem realizar na sua vida”.

“Fazemos parcerias com empresas, com universidades… nós lhes damos a capacitação necessária para conseguir emprego e para empreender”, explicou. Para isso, “desenvolvemos o método ‘Empreender 360’ e já fizemos muitas coisas graças às parcerias com diferentes empresas”.

Durante estes anos, Alejandro viveu diferentes experiências que lhe permitiram ver precisamente a eficiência da preparação que oferecem.

Por exemplo, “o caso de uma menina que teve a tentação de entrar no mundo do contrabando e, ao invés disso, entrou no programa de ‘Empreendedores de Chocolate’ conosco, porque dizia que não podia voltar para sua casa e olhar para o seu filho nos olhos caso se dedicasse ao contrabando”.

“Não há poder, não há situação de opressão das pessoas que possa conquistar seu coração”, indica. Esta “é uma proposta, uma iniciativa do amor de Cristo, que me abraça primeiro e logo me permite chegar aos outros, e que pode transformar a história”.

Alejandro conta que todos os que lhe pedem ajuda sabem que a associação é católica, mas não rechaçam a ninguém. “Há uma proposta que foi iniciada por mim e pelo meu encontro com o Senhor e isso vai contagiando pouco a pouco os outros”.

Ao fazer um balanço destes seis anos, afirma: “Aprendi mais que fazendo um MBA em Harvard porque tive que aprender finanças, gestão, entre outros, e o mais importante é que estou muito contente”.

“Os jovens estão muito desesperançados”, comentou. “Não veem um futuro claro, veem problemas por todos lados”, acrescentou. “Mas quando você os ensina a trabalhar, eles mudam de perspectivas, pois percebem que através do esforço poderão manter a sua família… ajuda a ter esperança”.

Durante sua visita ao Vaticano, Marius participou do Congresso Internacional ‘Deus Caritas Est’, organizado pelo Pontifício Conselho Cor Unum. Ali teve a ocasião de conversar brevemente com o Papa Francisco e entregar-lhe um presente: várias caixas de chocolates da Coleção Bombons de São Bento elaboradas pelos jovens formados em sua associação.

“Depois de me apresentar, o Pontífice expressou uma grande sensibilidade e preocupação pelo que está acontecendo na Venezuela e disse que reza por todos nós; mas o que mais me impressionou foi o seu olhar. É uma presença que muda tudo e não as ideias ou projetos que nós temos”, concluiu Marius com emoção.