Iniciativa internacional da Comunidade de Santo Egídio denuncia 15% de aumento nas execuções em 2013

MADRI, 02 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) – A Jornada Internacional “Cidades pela Vida – Cidades contra a pena de morte” levou milhares de pessoas de todo o mundo a se mobilizar no último domingo pelo fim definitivo da pena capital. Quase duas mil “Cidades pela Vida” aderiram oficialmente à jornada, mas em outros muitos lugares de todo o planeta, especialmente em países com a pena de morte vigente e nos quais não houve adesão oficial de instituições, foram organizados atos públicos, marchas e vigílias de oração por parte de comunidades, associações e cidadãos para manifestar rejeição à pena capital. Foi o caso de Minsk, na Bielorrússia, onde a igreja dos Santos Helena e Simão recebeu uma vigília de oração.

Em Roma, o Coliseu foi iluminado de forma especial para dizer não à pena de morte. No evento, foram lidos trechos de cartas escritas por condenados à morte, bem como passagens de obras literárias famosas. Participaram protagonistas da luta pela abolição da pena capital, como ex-condenados, parentes de vítimas e ativistas, além de personalidades populares como o jogador de futebol Francesco Totti, que se manifestou através de videoconferência. Foram projetados testemunhos, histórias inéditas e imagens de recentes e importantes congressos organizados pela Comunidade de Santo Egídio no Japão e nas Filipinas.

Diversas cidades europeias aderiram. Em particular, houve grande mobilização em Portugal, com muitas cidades iluminando os seus principais monumentos e organizando conferências e manifestações. A Comunidade de Santo Egídio e várias organizações da sociedade civil promoveram atos de destaque também na Espanha e na Alemanha para sensibilizar a opinião pública contra a pena de morte.

A mobilização percorreu todo o continente americano, de Boston, Montreal e Nova Iorque a várias cidades latino-americanas, especialmente no México, em El Salvador e em Honduras. Um vigoroso não à pena de morte ressoou também na África, com atos no Quênia, Mali, Nigéria, Malaui, Burundi e na República Democrática do Congo.

Neste ano, a mobilização contra a pena capital chegou com força à Ásia, onde a importância da discussão é crucial porque muitos dos países que aplicam a pena de morte se situam naquele continente. O congresso “No Justice Without Life”, em Tóquio e Manila, reuniu ativistas e personalidades públicas, conseguindo atrair maior atenção de governos de vários países asiáticos para a campanha contra a pena de morte.

Em 30 de novembro aconteceram manifestações, marchas e vigílias de oração na Indonésia, nas Filipinas, no Paquistão, no Camboja e em Hong Kong, transformando a Jornada Mundial das Cidades pela Vida na maior mobilização contemporânea do mundo para exigir uma forma mais elevada e civilizada de justiça, capaz de renunciar definitivamente à pena capital.

A Jornada Internacional “Cidades pela Vida – Cidades contra a Pena de Morte” é organizada todo dia 30 de novembro pela Comunidade de Santo Egídio, com apoio da União Europeia, evocando o aniversário da primeira abolição da pena capital por iniciativa de um estado europeu, o Grande Ducado da Toscana, em 1786. 

Com a passagem dos anos, a extraordinária iniciativa tem reunido governos e sociedade civil de todo o mundo nesta luta decisiva para toda a humanidade. Junto com a Jornada Mundial de 10 de outubro, a do dia 30 de novembro representa a maior mobilização mundial anual contra a pena de morte, com a participação de mais de 1.900 cidades.

A Comunidade de Santo Egídio faz parte ativamente da força-tarefa italiana que trabalha para aumentar as adesões à Resolução da ONU sobre a moratória universal, que será votada em Nova Iorque na Assembleia Geral. O número de países favoráveis chegou a 114, um aumento de 16 nações desde 2007, quando foi apresentada a Resolução.

O presidente da Comunidade, Marco Impagliazzo, explicou a causa da abolição da pena de morte ao Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, durante um encontro no Palácio de Cristal no último dia 7 de novembro.

Apesar desta tendência abolicionista, ainda são muitos os países que mantêm a pena capital. As pessoas executadas foram pelo menos 778 no ano de 2013, em 22 países, mas sem contar a China, que executou mais pessoas do que todo o resto dos países juntos e cujos números são desconhecidos, já que Pequim considera os dados sobre a pena de morte como segredo de Estado.

Em 2013, as execuções aumentaram 15% na comparação com 2012, o que equivale a quase 100 pessoas a mais que no ano anterior. À frente do aumento há um pequeno grupo de países, com destaque especialmente para Irã e Iraque, mas também para Indonésia, Kuwait, Nigéria e Vietnã, que retomaram as aplicações da pena de morte. Em termos gerais, havia no final de 2013 pelo menos 23.392 pessoas condenadas à morte em todo o mundo.