Na carta enviada por ocasião do congresso da ordem, o papa sublinha a necessidade de mobilização quando “direitos pessoais são colocados acima do bem comum”

Roma, 05 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)

“Poderosas forças culturais” estão colocando “sob ataque” casamento “entre um homem e uma mulher”: daí o chamado a defender esta “instituição natural”, elevada pelo Senhor “à dignidade de sacramento”, escreveu o papa Francisco na mensagem enviada ao congresso dos Cavaleiros de Colombo, na Filadélfia, Estados Unidos, país para o qual Francisco viajará no final de setembro para o encerramento do Encontro Mundial das Famílias.

“Enquanto se prepara para visitar a Filadélfia no próximo mês, no oitavo Encontro Mundial das Famílias, o Santo Padre expressa profunda gratidão pelo constante testemunho público que a sua ordem trouxe à nossa compreensão cristã do matrimônio e da família”, diz o texto, assinado pelo cardeal Pietro Parolín, secretário de Estado. Francisco recorda por meio dele que, “elevado pelo Salvador à dignidade de sacramento, o matrimônio é, no plano do Criador, uma instituição natural, uma aliança de amor e de fidelidade entre um homem e uma mulher, voltada à sua perfeição e santificação, para o futuro da nossa família humana”.

“Hoje, enquanto a instituição do casamento está sob ataque de forças culturais poderosas, os fiéis são chamados a testemunhar a fé bíblica básica e a lei natural, que é essencial para a ordem sábia e justa da sociedade”, diz o texto, que continua: “Em resposta aos desafios morais, sociais e políticos do momento, exige-se de vocês grande sabedoria e perseverança, a constância dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus (Apocalipse, 14,12)”.

“Dotados pelo Criador de vida e liberdade” (tema da convenção deste ano) chama a atenção para “o dever dos católicos americanos, como cidadãos responsáveis, de contribuir para a defesa razoável dessas liberdades em que a sua nação foi fundada”. Prossegue o papa: “A pedra angular dessas liberdades é a liberdade religiosa, entendida não apenas como liberdade do culto que se escolhe, mas também, para as pessoas e instituições, a liberdade de falar e agir em conformidade com o que determina a sua consciência. Na medida em que esta liberdade é ameaçada por políticas públicas invasivas ou pela influência crescente de uma cultura que coloca supostos direitos pessoais acima do bem comum, precisamos de uma mobilização das consciências por parte de todos os cidadãos, que, independentemente de partido ou credo, estão preocupados com o bem-estar geral da sociedade”.

O cardeal Parolín escreveu em nome do papa que “é esperança do Santo Padre que o programa de catequese e oração que os Cavaleiros abriram para o próximo sínodo sobre a família e para o Encontro Mundial das Famílias contribua significativamente para este testemunho profético”. E ainda: “A proteção da liberdade religiosa deve envolver a consciência dos fiéis em todo o mundo como resposta aos ataques contra as comunidades minoritárias, principalmente os cristãos, em várias partes do mundo, Sua Santidade está profundamente grato pelos esforços dos Cavaleiros em chamar a atenção pública para as graves tragédias humanitárias”, entre as quais a das famílias dos refugiados, auxiliado pelos Cavaleiros de Colombo “através do novo fundo de apoio aos refugiados cristãos”.

O Santo Padre “apela mais uma vez à sua ordem por uma oração constante, nas famílias e nas paróquias, em favor desses irmãos e irmãs golpeados pela violência fanática e pela intolerância, e por um reconhecimento geral desses direitos humanos básicos que não são garantidos pelo Estado, mas pelo Criador, que todos os crentes invocam como o Deus da paz”.