Conhecer o contexto familiar em que floresceu a vocação do Cura d’Ars é iluminador para muitas famílias, inclusive em vista do Sínodo de outubro

Por Osvaldo Rinaldi

 

Roma, 04 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)

João Maria Vianney, cuja celebração litúrgica a Igreja celebra hoje, é um exemplo de santidade que pode nos ajudar na perspectiva do próximo Sínodo sobre a Família, em outubro.

Conhecer o contexto familiar em que amadureceu a vocação de João Maria Vianney é iluminador e de fecunda inspiração para muitas famílias. A formação humana de João Maria Vianney floresceu no seio da sua família cristã. As informações que nos chegaram descrevem uma criança que, tão logo pôde mover os braços, fez o sinal da cruz imitando o gesto que tinha visto da mãe: ela o convidava a olhar o crucifixo e as imagens religiosas postadas nas paredes da casa, para educá-lo na contemplação das realidades do céu e despertar nele uma fé simples e genuína.

Quando cuidava dos bichos para ajudar os pais, João os deixava durante alguns momentos com seus companheiros e se retirava para rezar o rosário. Ouvia os sinos tocando e corria até a igreja para participar dos momentos litúrgicos da vida da comunidade.

Outro santo ensinamento de sua mãe era a hora do ângelus: sempre que soava a hora, sem se preocupar com a presença de outros, ele interrompia o que ela estava fazendo para rezar a ave-maria. Todos esses hábitos o acompanhariam durante a vida inteira.

A mãe de João foi a sua primeira catequista. Ela sempre acreditou na pureza e na beleza da alma do filho, que, ao longo da vida, nutriu grande gratidão para com a mulher que lhe deu a vida e a alimentou com a fé pura e coerente. Para João, a gratidão a Deus tinha o primado, mas em segundo lugar vinha a gratidão à sua mãe: essa gratidão tocava as profundezas do seu coração e o levava às lágrimas sempre que pensava em sua mãe.

Toda a religiosidade dela foi sempre confirmada por gestos concretos. Os pais de João lhe ensinaram que o amor a Deus se manifesta na caridade para com os pobres e marginalizados. O pai e a mãe de João passavam o dia no trabalho do campo, vivendo uma vida serena e digna e abrindo a porta de casa para os pobres, convidados a participar da sua mesa e das suas orações.

Quanto pode nos ensinar essa vida da família Vianney! Esses episódios de vida familiar que parecem tão distantes e anacrônicos e que, no entanto, contêm um testemunho tão rico para nós hoje!

A transmissão da fé tem na família o seu lugar privilegiado. Os pais são chamados a ser os primeiros catequistas dos seus filhos, os primeiros anunciadores das verdades da fé cristã. O amor a Deus é ensinado pelo exemplo e pela coerência de vida. Quando uma criança vê seu pai ou sua mãe rezando, ela recebe um testemunho de vida cristã que leva a pensar sobre Deus e a se abrir ao diálogo.

A ausência de diálogo é a maior crise em muitas famílias, causada por desconfianças, mal-entendidos, ressentimentos do passado e do presente. Muitos pais devem perguntar-se frequentemente por que seus filhos não falam mais vezes com eles. Essa falta de comunicação é apenas atribuível à idade? É utópico sonhar e construir uma vida em que a comunicação entre pais e filhos seja uma realidade?

Essas questões têm suas raízes mais profundas na ausência da oração em família. Quando os pais perdem o diálogo com Deus, fechando o coração à Palavra, eles também enfraquecem o relacionamento de marido e mulher e a comunicação vital com os filhos, fechando-se às necessidades de quem encontram na vida.

A família Vianney passou para o seu filho João o valor da fé, testemunhando a coerência entre a vida contemplativa e fé viva nas obras. O contexto sócio-econômico atual encoraja as famílias à solidariedade para com muita gente que está passando por momentos difíceis. Mas não se trata apenas de bens materiais, e sim, também, de compartilhar momentos de oração e diálogo: acolher não é apenas dar alguma coisa, mas também ouvir e compreender.

Que, neste dia de agosto, cada família aproveite para venerar o testemunho da família Vianney, para se abrir a um diálogo pessoal e familiar com Deus e, ao mesmo tempo, para retomar aquelas muitas conversas familiares esquecidas, guardadas por medo no fundo do próprio coração.