290 delegados de 10 Igrejas ortodoxas reuniram-se em Creta, pela primeira vez, em mais de mil anos de história

 

27 JUNHO 2016 – Uma grande apologia ao diálogo. Esta foi a mensagem final do Grande Concílio das Igrejas Ortodoxas. Uma exaltação da importância do diálogo entre as várias denominações ortodoxas, mas também do diálogo ecumênico com as outras Igrejas cristãs, porque, como explicou o Patriarca Bartolomeu I, “a unidade ortodoxa serve também para a causa da unidade dos cristãos”.

Assim indicou a Rádio Vaticano, que também afirmou que o patriarca garantiu que este encontro ajuda ao diálogo inter-religioso para tentar contrastar a explosão do fundamentalismo e porque é o único caminho para uma confiança recíproca, paz e reconciliação.

A este respeito, o concílio lançou uma forte apelo à comunidade internacional para que se cumpra todos os esforços possíveis para “uma resolução dos conflitos armados” no Oriente Médio.

O encontro terminou no domingo com a celebração da Divina Liturgia. “Escrevemos uma página da história”, disse o Patriarca Bartolomeu I. As igrejas decidiram convocar um Concílio a cada 7/10 anos. Na mensagem final garantem que “estamos ouvindo a dor, as angústias e o grito de justiça e de paz dos povos”.

290 delegados de 10 igrejas ortodoxas realizaram 6 documentos e publicaram uma encíclica e uma mensagem final, dirigida ao “povo ortodoxo e todas as pessoas de boa vontade”. Faltou a presença das Igrejas da Rússia, Bulgária, Geórgia e Antioquia que no último momento decidiram não participar.

Na mensagem final está escrito que as Igrejas Ortodoxas entram no terceiro milénio com uma atitude nova e aceitam o desafio de fazer ainda permanecendo fieis à sua tradição.

Este Concílio – se lê – abriu nosso horizonte ao mundo. A Igreja ortodoxa é sensível à invocação de paz e justiça dos povos do mundo. E proclama a boa notícia da sua salvação, anunciando a sua glória e as suas maravilhas entre todos os povos.

O concílio, que se realizou em Creta, começou oficialmente no domingo, 19 de Junho e teve a sua primeira sessão na segunda-feira, 20 e a última no sábado 25. O encontro contou com a oração do Papa Francisco, que dedicou umas palavras no Angelus do dia 19 na praça de São Pedro. “Vamos nos unir em oração pelos nossos irmãos ortodoxos, invocando o Espírito Santo, para que ajude com os seus dons os patriarcas, os arcebispos e os bispos que estão reunidos no Concílio”, pediu o Santo Padre. E rezou junto com os presentes uma Ave Maria por esta intenção. Trata-se da primeira reunião destas características em mais de mil anos.