Por André Parreira

SãO PAULO, 19 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) – Me assustei ao perceber que já era hora de escrever nossa reflexão para a 4ª semana do Advento. Como passou rápido!

 

É hora de avaliar como tem sido esse Advento e tentar ainda “tirar o atraso” nestes próximos dias de preparação. Quero partilhar que as opções e rotinas que adotamos em família, algumas comentadas nos textos anteriores, têm nos ajudado a perseguir o sentido do Natal e a encher o coração de esperança ao lembrar e celebrar que “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3,16)

A alegria é realmente profunda quando focamos no real sentido do Advento e Natal.  Refletimos no Advento sobre a vigilância, a esperança, a alegria e agora, no 4º domingo, a obediência e confiança, a exemplo de São José. Assim vamos preparando a manjedoura de nosso coração para receber o Menino Jesus. Como será a manjedoura que Ele encontrará no teu coração?

Um fato me preocupa no comportamento de muitos católicos: a pouca atenção à celebração do Natal. Muitos se preparam bem, fazem novena, se confessam, praticam a caridade, cultivam boa espiritualidade e assim preparam uma agradável manjedoura para o Menino Jesus. Mas, no dia do Natal, não acham tempo para recebê-lo!

Não temos dúvida da importância de se celebrar o Natal com os familiares e até com amigos, mas isto não quer dizer que as reuniões, ceias e trocas de presentes sejam o grande objetivo do momento. Alguns viajam grandes distâncias e enfrentam verdadeiras maratonas em dois dias. Começam a visitar parentes e amigos já na manhã do dia 24, levando suas lembrancinhas. À noite vão para a ceia e aí ficam até a madrugada. Acordam cansados no dia 25, trocam presentes e ainda correm para achar alguma loja aberta, pois esqueceram o presente do fulano e do ciclano. Em seguida, partem para mais uma confraternização. No fim do dia, vão à missa de Natal com o cansaço da maratona que disputaram.

De forma alguma estou dizendo que não devemos participar das festas de família, mas apenas estou lembrando que o Natal é uma festa religiosa e que a prioridade deve ser a celebração espiritual e a renovação interior. Se para os adultos é uma rotina cansativa, o que dizer das crianças? Será que depois dessa maratona, elas conseguem participar bem da missa?

Há alguns anos, minha esposa e eu percebemos isso e decidimos, enquanto os filhos são pequenos, viver de maneira diferente o dia 24 e 25. A noite do dia 24 é também especial e por isso há a Missa da Vigília de Natal. Contudo, como temos crianças bem pequenas, nos vemos com dificuldades de participar desta missa, mas preparamos uma celebração de Natal em família. Nesta noite não participamos, pelo menos enquanto são menores, de ceia ou confraternização em casa de familiares. Passamos o advento refletindo e preparando esse momento e precisamos concluí-lo com tranquilidade. Organizamos uma ceia e, mais importante, preparamos um roteiro de celebração. No último ano, usamos um roteiro com textos, música e aí tinha espaço para participação de todas as crianças. O momento incluiu uma pequena procissão pela casa e que terminou no presépio, na sala com as luzes apagadas e com um facho de luz iluminando a manjedoura. Ali cantamos e fizemos alguns minutos de oração. Não me esqueço da imagem das crianças, espontaneamente, ajoelhadas diante do presépio e murmurando suas orações. Nós, pais, devemos oportunizar momentos de contemplação aos filhos.

Depois fomos para a nossa ceia e com alegria ficamos conversando. Preocupamos em dormir cedo para acordamos todos dispostos no dia 25 para, além de abrirem os presentes – para as crianças esse é um momento também importante – irmos à Missa de Natal com alegria e disposição. Após a missa fomos visitar os avós e parentes próximos, na medida em que o tempo permitiu.

Chego até a pensar que seria interessante, para quem mora distante, passar o Natal em sua paróquia, com mais tranquilidade e profundidade. Acredito que a correria de viajar às vésperas do Natal para encontrar os familiares e retornar na tarde ou noite do dia 25 atrapalha, de alguma forma, a suavidade que esse momento merece. A sociedade agigantou as festas, a comilança (a gula!), a troca de presentes e acabou por minimizar o momento religioso.

Uma cultura que me agrada é a espanhola, onde as pessoas visitam seus amigos e parentes para trocar presentes não no Natal, mas no dia 6 de Janeiro, em alusão aos presentes que os Reis Magos levaram à Jesus. Sei que não é fácil nadar contra a correnteza e nem sempre temos coragem de tentar, além de nos arriscarmos a ouvir muitas críticas e incompreensões. Mas, num mundo cada vez mais pagão, nossa conduta pode ser um sinal de nossa opção incondicional por Jesus Cristo.

Como você planeja viver o dia de Natal?

Tenho convicção que o modo que celebramos não é o adequado a todos, pois cada família possui sua realidade. Muitas são as maneiras de viver este belo dia. Mas o convite que nos faz a Igreja é que procuremos viver um momento de profundidade e tranquilidade, aproveitando mais uma oportunidade para rever nossa vida e crescer na fé. O nascimento de Jesus se renova, de fato, em nosso meio. No Natal não fazemos festa de aniversário para Jesus, mas celebramos o Seu nascimento. Podem parecer coisas semelhantes, mas são diferentes (Você já viu alguém cantar “Parabéns” para um bebê que acaba de nascer?).

Conforme a proposta desta série de quatro artigos, tentei partilhar um pouco sobre como preparamos o Natal em Família e espero que nós todos, a sua família e a minha, consigamos dar mais um passo em direção a Jesus pela vivência deste Natal que se aproxima.

Desejo a você um Santo Natal. Paz e bem!

André Parreira (alparreira@gmail.com), da diocese de São João del-Rei-MG, é autor de livros sobre a preparação para o Matrimônio e responsável no Brasil pelo DVD “Sim, Aceito!”, lançado em parceria com a Pastoral Familiar da CNBB. Empresário, casado e pai de 6 filhos, colabora na formação de jovens e casais e é colunista colaborador de ZENIT.