Parente Martins, cardiologista, sublinha importância da unidade e do diálogo para transformar a realidade

Almada, 20 nov 2021 (Ecclesia) – O médico Luis Parente Martins disse hoje na ‘Praça Central’ 2021, que decorre em Almada, por iniciativa da Igreja Católica, que a “amizade social” proposta pelo Papa Francisco exige unidade e diálogo em todos os âmbitos.

O conferencista sustentou que “uma Igreja fraterna” seria um modelo para a sociedade, para a promoção de transformações necessários.

Médico cardiologista, Parente Martins falou da sua experiência como católico, marcada pela ligação à espiritualidade dos Focolares, que sublinha a dimensão da unidade.

Convidado a falar do tema “recomeçar”, o orador sublinhou três dimensões – iniciar, corrigir, implementar – para promover um itinerário de amizade social, que alimente o dialogo dentro da Igreja, ecuménico, inter-religioso, com os não-crentes e a cultura.

Parente Martins destacou a ligação ao processo sinodal, lançado pelo Papa Francisco, que decorre num momento de “extremar de posições” dentro da Igreja, convidando a valorizar as diversas “sensibilidades” e a evitar os “fundamentalismos”.

A intervenção deixou testemunhos pessoais, como a experiência que levou à criação do Encontro Cristão, em Sintra, a caminho da sua 12ª edição, em 2022, ou a ligação à Associação Ponte, Instituição Particular de Solidariedade Social.

O médico é ainda o mentor da ‘Unidade Mais Sentido’, que designa o Hospital de Dia de Cuidados Paliativos de Insuficiência Cardíaca Avançada, localizado no Hospital Pulido Valente (CHULN).

Parente Martins realçou a necessidade de fazer “verdadeiras escolhas éticas”, convidando os católicos a promover valores e atitudes próprias.

A intervenção deixou uma série de “tarefas” aos participantes, como “verbalizar o amor recíproco” ou promover dinâmicas que tornem a celebração da Eucaristia “mais percetível, mais congregacional e mais bela”.

“Iniciar uma amizade pessoal com um membro de outra religião”, corrigir modelos de ação social ou “implementar a amabilidade” foram outras propostas lançadas.

A manhã de trabalhos incluiu uma mesa-redonda com testemunhos sobre ‘A construção da amizade social nas dimensões da política e cidadania’.

Manuel Carvalho da Silva, investigador e antigo responsável pela CGTP, falou da compreensão da amizade como inclusão e não como “escolha” que limita.

O convidado citou o Papa Francisco, que no número 162 da encíclica ‘Fratelli Tutti’ escreve que “a grande questão é o trabalho”, como dimensão essencial da vida social.

Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa, aludiu à sua vivência em Angola e ao percurso académico-profissional de alguém que “não se conforma”.

“Queria encontrar soluções com os recursos que temos”, observou.

Rita Sacramento Monteiro, gestora de voluntariado corporativo e membro da ‘Economia de Francisco’ – Portugal, recordou a experiência como voluntária, alimentada pelo “desejo de ajudar os outros”.

“A amizade social é um movimento de saída”, precisou.

A ‘Praça Central’, atividade promovida pela Conferência Nacional das Associações do Apostolado dos Leigos (CNAL), decorre ao longo deste sábado em várias localidades de Almada (Diocese de Setúbal), com o tema ‘A difícil arte da amizade social. Como é importante sonhar juntos!’.

O evento inspira-se na Encíclica ‘Fratelli Tutti’, do Papa Francisco, incluindo a realização de uma sessão plenária durante a manhã e mesas-redondas, durante a tarde, para abordar quatro temas centrais – cidadania, política, cultura e diálogo -, com quase 50 intervenientes.

OC