Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz deu conferência na arquidiocese de Colônia

Para superar a crise social e ambiental de hoje, precisamos de uma revolução cultural; mas isto não significa uma negação ingênua da tecnologia e dos benefícios da sociedade moderna: ao contrário, significa colocar o engenho humano a serviço de um progresso saudável e integral, destacou o cardeal Peter Turkson neste sábado, 5 de março, durante conferência organizada em Bad Honnef, na Alemanha, pela arquidiocese de Colônia.

A associação acadêmica para a promoção da doutrina social da Igreja, Ordo Socialis, entregou na ocasião um prêmio ao cardeal Rodríguez Maradiaga pelo seu compromisso contra a exclusão e a pobreza.

Segundo o diário Osservatore Romano, o tema do evento foi a agenda 2030 e as novas metas de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, que o cardeal Turkson reinterpretou à luz da Laudato Si’, convidando os ouvintes a derrubarem o que o papa chama de “mitos da modernidade”: o individualismo, o progresso ilimitado, a competição, o consumismo, o mercado não regulamentado.

A proposta do cardeal é a de uma visão mais profunda do relacionamento entre o homem e a terra em que ele vive, de modo que a beleza e a saúde do planeta sejam preservadas para as gerações futuras. O presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz também lembrou que, “desde a revolução industrial do século XVIII, a população mundial se multiplicou por nove”, incrementando dramaticamente a economia global.

“A tendência – observou o cardeal – não mostra sinais de abrandamento”: até meados deste século, a população mundial deverá ultrapassar os 9 bilhões de pessoas. “É uma mudança impressionante, em um curto período de tempo, e criará desafios econômicos, sociais e ambientais”.

“Os líderes mundiais se reuniram em Nova Iorque em setembro último para aprovar os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável e, depois, na Cop21 de Paris, em dezembro, para se comprometerem com a eliminação gradual da utilização de combustíveis fósseis perigosos”. Mérito, em parte, do papa Francisco, que, continuando o magistério dos seus antecessores, acelerou com a sua encíclica o debate sobre estas questões.

Não se trata “de suplantar o tradicional pensamento de mercado”, nem de aderir a um “romantismo pré-industrial”; pelo contrário: “os instrumentos de mercado e as habilidades dos seus especialistas” devem ser colocados a serviço do desenvolvimento sustentável, até porque “os lucros abusivos não são intrínsecos ao bom funcionamento dos mercados”, como tampouco a corrupção e a crueldade.

Disse Turkson: “Uma melhor governança significa prosperidade mais genuína. Tanto os teóricos clássicos quanto os contemporâneos apontam na base do bom funcionamento do mercado algumas virtudes como a confiança, a honestidade, a solidariedade, a reciprocidade e a cooperação (…) Se algo é intrínseco aos mercados, não é o vício, mas a virtude. Portanto, não há nada de estranho em desafiar os mercados a produzirem resultados virtuosos, como o bem comum, a sustentabilidade e a solidariedade”.