VATICANO, 20 Out. 15 / 02:40 pm (ACI/EWTN Noticias).- Durante a coletiva realizada nesta terça-feira na Sala de Imprensa do Vaticano, o Cardeal sul-africano Wilfried Napier, um dos presidentes delegados do Sínodo dosBispos sobre a Família, explicou as razões pelas quais este importante evento para a Igreja experimentou um “enorme” clima de confiança.

 

O Cardeal fez esta explicação a fim de responder a uma pergunta sobre a carta que treze cardeais teriam enviado ao Papa Francisco antes do início do Sínodo.

Na missiva, os cardeais assinantes expressavam algumas das suas preocupações em relação à metodologia e à comissão de redação do documento final do Sínodo.

A respeito, o Cardeal Napier disse que “o primeiro que devo mencionar é que houve certas questões individuais que nos preocupavam durante o Sínodo do ano passado. Uma questão em particular foi a apresentação do relatório médio como se tivesse sido parte das deliberações do Sínodo”.

“E isso não é verdade, pois nós recebemos o documento aproximadamente uma hora depois que vocês, a mídia o recebeu. E só então conseguimos lê-lo”.

Relatio post disceptationem, relatório apresentado pela Secretaria do Sínodo dos Bispos em outubro de 2014, logo depois da primeira semana de deliberações, foi um texto que recebeu uma grande quantidade de críticas por parte dos prelados participantes.

O Arcebispo de Durban explicou: “Esse documento mencionava algumas coisas que somente foram pronunciadas por duas ou três pessoas no máximo; e foram apresentadas como se fossem as reflexões do Sínodo”.

Isso, precisou o Cardeal, “certamente dava a impressão de que o Sínodo era levado em certa direção”.

Em seguida, o Cardeal sul-africano recordou que também fez parte da comissão que preparou o documento final do Sínodo de 2014 “e havia certos temas que, novamente, eram levados em certa direção. Nesse sentido, parecia que estava em operação uma particular ideologia ou agenda, como queiram chamá-lo”.

Em relação à carta dos 13 cardeais para o Santo Padre, o Arcebispo afirmou que era privada e que “foi escrita no espírito do que o Papa Francisco indicou no começo do Sínodo do ano passado, quando disse ‘por favor falem aberta e honestamente, mas escutem com humildade’, e foi enviada ao Papa nesse espírito”.

“O Papa Francisco respondeu imediatamente com a declaração que fez ao dia seguinte que recebeu a carta e isso gerou uma diferença enorme na escala da confiança: as preocupações estavam registradas, foram analisadas e, portanto, logo todos foram trabalhar no Sínodo com tudo o que têm e isso é o que experimentei”.

Deste modo, o Cardeal Napier ressaltou que no Sínodo viveram um grande ambiente, porque todos “estivemos otimistas ao trabalhar nos temas juntos como uma equipe, com colegialidade, caminhando juntos na direção do que é melhor para a Igreja”.    

O Arcebispo sul-africano comentou ainda que o Sínodo foi pastoral e profético, e teve como objetivo “servir às pessoas em distintas situações”. Acerca do modo pelo qual a Igreja deve aproximar-se das pessoas, o Cardeal disse: “Não estou seguro de que a linguagem politicamente correta seja a forma de ser proféticos e pastorais”.

A respeito das diferentes realidades dolorosas, as quais devem ser enfrentadas pelos bispos, como a realidade do divórcio, o Cardeal comentou que é muito importante “a preparação para o matrimônio e logo a formação. Queremos ver como formamos as pessoas e não somente desde seis meses antes de receber o sacramento, mas desde a juventude”.

A fim de confrontar esse desafio, é importante procurar que as famílias sejam sólidas e “ajudem os outros. Por isso, também são essenciais os grupos e comunidades” que realizam este apostolado, junto com sacerdotes, religiosos e outros leigos que “colaborem com estas realidades”, concluiu o Cardeal Napier.