ROMA, 14 Nov. 16 / 08:30 am (ACI).- Em uma recente entrevista ao jornalista Edward Pentin, para ‘National Catholic Register’, o Cardeal Raymond Leo Burke, Capelão da Ordem Militar de Malta, analisou a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Ele será fiel ao compromisso feito com os pró-vidas e católicos? O Purpurado dá algumas informações importantes.

 

“Certamente, devemos estar alertas – disse o Cardeal –, assim como estaríamos com qualquer presidente dos Estados Unidos, e estar atentos para insistir no que é moralmente correto”.

Na entrevista, do dia 9 de novembro, um dia após as eleições nos Estados Unidos, o Cardeal Burke disse que a vitória de Trump, do Partido Republicano, sobre Hillary Clinton, do Partido Democrata, “é um sinal claro da vontade do povo”.

“Eu acho que o povo americano despertou para a situação realmente séria na qual o país vive, em relação ao bem comum, bens fundamentais que constituem o bem comum, tanto a proteção da vida humana, como a integridade do casamento e da vida familiar ou a liberdade religiosa”.

Para o capelão da Soberana Ordem Militar de Malta, “o fato de que um candidato como Donald Trump, que era completamente alheio ao regime normal da política, tenha podido ser eleito é uma indicação de que os nossos líderes políticos precisam ouvir mais cuidadosamente as pessoas e, na minha opinião, voltar a esses princípios fundamentais que protegem o bem comum, que foram tão claramente expressos na fundação do país, na Declaração de Independência e na Constituição”.

O Cardeal Burke destacou que o que Trump disse “sobre questões pró-vida, questões familiares e questões relacionadas à liberdade religiosa mostram grande disposição de escutar a Igreja sobre esses assuntos”.

“É claro que, depois de qualquer eleição, permanece a grande pergunta: será que o candidato se manterá fiel à sua palavra, seguirá em frente? Devemos esperar e rezar para que sim. Uma coisa que ouvi dizer é que tende a ser associado com bons conselheiros e confio que assim seja”, declarou e destacou que durante o processo eleitoral Trump nomeou 34 conselheiros católicos para assessorá-lo em temas da Igreja.

“Conheço bem alguns e são pessoas muito boas. É um sinal de esperança”.

Na lista, publicada na página de Donald Trump, figuram, entre outros, o ex-senador e ex-candidato republicano presidencial Rick Santorum; a presidente do grupo pró-vida Susan B. Anthony List, Marjorie Dannenfelser; Francis Rooney, o ex-embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé; e Austin Ruse, presidente do Centro para a Família e para os Direitos Humanos (C-FAM).

O Cardeal Burke assinalou que, apesar das diversas críticas ao atual presidente eleito dos Estados Unidos, “acho que um católico poderia, em sã consciência, votar em Donald Trump, porque em tudo o que ele disse, pelo menos, havia esperança de avançar de alguma maneira o bem comum da nação”.

Sobre os temas objetáveis em relação a Trump, disse que “quando uma pessoa  vota em consciência em um candidato que não compartilha os mesmos princípios morais, mas certamente alguns muito importantes, então a pessoa deixa bem clara as suas objeções acerca das posições que o candidato poderia ter que não são corretas”.

Mas em relação ao tema da defesa da vida, disse que Trump “está fazendo o correto”.

O Cardeal Burke ainda sublinhou que “um cristão não pode fechar o seu coração para um verdadeiro refugiado, este é um princípio absoluto, não há dúvida a respeito disso, mas deve ser feito com prudência e caridade”.