D. Jorge Ortiga preside a Missa no dia de São João e lembra que festas cristãs «não contradizem a alegria»

 

Braga, 24 jun 2015 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga presidiu hoje à Eucaristia da festa do nascimento de São João Batista e explicou que um Estado laico “deve cumprir o seu dever” de potenciar canais, instituições e instrumentos que “valorizem a fé dos cidadãos”.

“A laicidade do Estado é, para muitos setores da sociedade e da política, a garantia da pluralidade e do tratamento justo relativamente às diferentes religiões ou profissões de fé”, assinalou D. Jorge Ortiga, para quem justiça “não significa equidade acrítica”.

Na homilia da Missa celebrada em São João da Ponte, o arcebispo primaz explicou que justiça significa fazer uma “leitura adequada da realidade” e desenvolver os mecanismos necessários para “corresponder às expectativas e necessidades reais dos interlocutores”.

O prelado recordou que os censos de 2011 indicam que 81% dos portugueses declarou-se católico e, neste contexto, invocar a laicidade do Estado para não “atender às necessidades e anseios dos cidadãos”, onde a larga maioria é católica, “é uma atitude injusta e ideológica”.

“Precisamente porque o Estado é laico, deve cumprir o seu dever e, em liberdade, potenciar os canais, espaços, instituições e instrumentos que valorizam a fé dos cidadãos que o elegeram”, acrescentou, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.

D. Jorge Ortiga observou que a fé é também “um dado cultural e edifica a identidade de uma nação”, desta forma observou que as festas de São João são um património da cidade de Braga e da comunidade cristã em Braga.

“Os esforços desenvolvidos pelos poderes civis são meritórios e devem ser lidos neste contexto, salvaguardada a justa laicidade, de reconhecimento que os bracarenses são um povo cristão”, desenvolveu o prelado que, por isso, considera um “serviço público” colaborar na organização de eventos que se “coadunem e fomentem” os valores e crenças dos cidadãos.

As festas dedicadas ao São João em Braga, para além da diversão, música, convívio, memórias e alegria manifestam também o relevo cultural da fé na “estruturação da identidade de uma nação ou de uma cidade”.

Na homilia, o arcebispo contextualizou que estas festas remontam ao século XII, quando foi construída uma igreja paroquial dedicada a São João.

D. Jorge Ortiga relembrou ainda alguns pontos da nota pastoral ‘Sentido Cristão das Festas Religiosas’, que escreveu em 2004, para que as festas permaneçam “fiéis ao seu verdadeiro espírito” e sejam também um momento para “viver a fé”.

O arcebispo destacou que nas festas populares o povo “aliava a dimensão lúdica com a dimensão religiosa” que o enriquecia “cultural, recreativa e espiritualmente.”

“Uma vertente não deve excluir a outra”, frisou D. Jorge Ortiga que explicou que a “alegria faz parte da mensagem cristã”.

Agência Ecclesia