5.A Família Blasiana

No dia 14 de maio, véspera da celebração do Pentecostes, tive a oportunidade de viver mais um momento intenso de beleza e de bondade, ao participar, juntamente com a minha mulher, na Jornada da Família Blasiana, em Casegas, terra natal do Pe. Alves Brás. No contexto das celebrações do cinquentenário da sua morte foi dirigido um convite a todos os membros desta família para que, indo beber à fonte, aprofundassem a experiência de ser família para a família e intensificassem a corresponsabilidade na realização da mesma missão.

Na partilha, que então pude fazer, tive a oportunidade de destacar a importância da intuição do fundador que há mais de 50 anos pôde afirmar, com toda a clareza, que “a família é a fonte donde brota esta corrente que é a humanidade; se a fonte for pura e cristalina teremos uma corrente bem sadia, mas se a nascente for inquinada, teremos uma corrente igualmente inquinada. Mais de meio século depois, o papa Francisco afirma também inequivocamente na Exortação Apostólica «A Alegria do Amor», “o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja” (nº 31), o que nos permite perceber uma total sintonia na importância decisiva e fundamental que é atribuída à família. Esta constatação, para quem tem fé como eu, não deixa margem para dúvidas, o Espírito vai suscitando carismas, de modo a que a comunidade cristã possa ir respondendo aos desafios que cada tempo coloca. A Família Blasiana (Instituto Secular das Cooperadoras da Família, Obra de Santa Zita, Focos de Esperança, Centro de Cooperação Familiar, Fundação Monsenhor Alves Brás, Movimento para um Lar Cristão) é fruto deste movimento do Espírito, acolhido, interpretado e respondido pelo Fundador. Por isso, não tenho qualquer dúvida em afirmar que ela tem hoje uma missão central no seio da Igreja e do mundo.

A responsabilidade é muito grande, e o momento histórico que estamos a viver, tanto no contexto da sociedade humana como no da comunidade eclesial, ainda vêm sublinhar mais essa responsabilidade, pelo que aprofundar a experiência de ser família para a família se torna verdadeiramente fundamental. Nesse sentido, é importante que todos os membros da Família Blasiana reforcem a sua identidade de serem todos filhos da mesma fonte, reconhecendo que na sua origem está o dom, que cada um é dom de outro e, portanto, não pode deixar de viver como dom para os outros.

Neste contexto, é também necessária a experiência da fraternidade entre todos os membros desta família. Porque irmãos, podem descobrir-se numa relação de iguais que são igualmente diferentes, ou seja, podem descobrir-se como igualmente filhos, mas irmãos diferentes. Esta diferença não reside na importância nem na dignidade, pois todos são filhos e igualmente filhos do fundador; mas cada um tem a sua identidade própria, a sua maneira própria de concretizar o mesmo carisma, por isso são irmãos diferentes. Esta unidade na diversidade implica e gera uma complementaridade, que torna ainda mais rica a missão desta família.

Por tudo isto é fácil perceber como a experiência de ser família – a família blasiana – é verdadeiramente indispensável para poder viver a fidelidade ao carisma. O Pe. Alves Brás intuiu essa importância e, por isso, foi gerando e constituindo essa família, que hoje é chamada a continuar a sua obra, indo onde ninguém vai, para levar Cristo aos pobres e às famílias.

A tarefa pode parecer demasiado grande e difícil, pelo que é necessário a ousadia, a coragem e a criatividade que o próprio Pe. Alves Brás testemunhou ao longo da sua vida e do seu apostolado, não havendo lugar para o medo, já que, “50 anos depois ele continua vivo em mim…, em ti…, em nós…, em todos aqueles e aquelas que participam ou beneficiam das suas obras.” Eu também faço parte desses e, por isso, elevo uma profunda prece de ação de graças ao Senhor.

 

 

Escrito por Juan Ambrósio e publicado em Jornal da Família, junho de 2016