(por Juan Ambrósio, em Jornal da Família, Fevereiro 2014)

1. Introdução

Durante este ano a família estará no centro das mais variadas atenções.

Ao nível Europeu celebra-se o «I Ano Internacional da Família», o que é um indicativo claro das preocupações que existem a este nível. Claro que sabemos que o foco não está colocado em questões que a nós nos parecem fundamentais, tais como aquilo que podemos chamar o ‘modelo’ da família (ao longo deste conjunto de artigos voltaremos a esta questão com muito mais detalhe), ou os papeis que cada membro da família é chamado a desempenhar (também esta temática terá de ser abordada com uma maior atenção).

Apesar de sabermos isto, a verdade é que o Conselho da Europa, bem como o Comité Económico e Social e a própria Presidência da União Europeia começaram a dar sinais de reconhecimento da importância inquestionável da família, por exemplo, para poder enfrentar e ultrapassar os enormes desafios que o futuro levanta ao nível daquilo a que muitos especialistas já chamam ‘o inverno demográfico’ que, associado ao claro envelhecimento e desagregação das sociedades europeias, os faz questionar sobre o futuro da própria Europa.

Nesta linha o ano de 2014 será consagrado a este importante tema, tendo como eixos fundamentais: travar o envelhecimento; investir na coesão da família como fator de desenvolvimento em tempos de crise; e revalorizar a maternidade.

A «Conciliação entre o Trabalho e a Vida Familiar» será também uma das preocupações a centrar as atenções durante este ano de 2014 ao nível Europeu, mesmo que não se venha a adotar uma declaração formal nessa linha. Na verdade, desde há já alguns anos que se vem refletindo sobre o conceito de «empresa familiarmente responsável», onde as necessidades da vida familiar dos trabalhadores sejam conhecidas e tidas em conta no exercício da gestão e programação da vida das empresas. A conciliação entre o trabalho e a vida familiar não pode ficar só ao nível das intenções, mas deve concretizar-se em medidas reais relacionadas, por exemplo, com as licenças de maternidade e paternidade; com a flexibilização dos horários, tendo também em conta as conveniências da vida familiar e não simplesmente as da empresa; os apoios ao trabalho em tempo parcial, de modo a permitir um melhor acompanhamento dos elementos da família em momentos da sua vida em que isso se revele de fundamental importância; a existência de creches nas próprias empresas, ou o apoio a creches próximas delas; e tantas outras coisas que a reflexão séria e a criatividade ousada serão certamente capazes de apontar. A este nível é fundamental apostar na formação da consciência social dos empresários, mas não só, uma vez que é igualmente indispensável que existam orientações ao nível das leis que ajudem a salvaguardar aquelas dimensões que a este propósito forem consideradas fundamentais.

No âmbito não estritamente Europeu, se bem que também o inclua, o tema da família vai também ser foco de atenção, uma vez que 2014 foi declarado «Ano Internacional da Agricultura Familiar». É verdade que a família, neste contexto, não é destacada por si mesma, mas não é menos verdade que se lhe reconhece, com esta declaração, o seu importante papel na erradicação da fome e pobreza; na provisão de segurança alimentar e nutricional; e mesmo na gestão dos recursos naturais e proteção do meio ambiente, particularmente nas áreas rurais. Qualquer um destes temas é, como sabemos, de uma vital importância para a dignificação da vida humana.

Também ao nível da Igreja a realidade familiar centrará as atenções de um modo muito especial. Pela terceira vez, o Sínodo dos Bispos reunirá numa Assembleia Geral Extraordinária, para refletir sobre os «Desafios Pastorais da Família no Contexto da Evangelização». A importância da família para a identidade e missão da Igreja é de tal maneira evidente que, como nos diz o próprio documento preparatório desta Assembleia, “o Santo Padre decidiu estabelecer para o Sínodo dos Bispos um itinerário de trabalho em duas etapas: a primeira, a Assembleia Geral Extraordinária de 2014, destinada a especificar o “status quaestionis” e a recolher testemunhos e propostas dos Bispos para anunciar e viver de maneira fidedigna o Evangelho para a família [já todos sabemos que para concretizar este objetivo foi lançado um inquérito, de modo a permitir a participação mais ampla possível por parte dos cristãos]; a segunda, a Assembleia Geral Ordinária de 2015, em ordem a procurar linhas de ação para a pastoral da pessoa humana e da família.”

Como é óbvio, não será possível, neste espaço, dar conta de tudo o que irá acontecer a este nível, no entanto queremos estar atentos a estas várias frentes, dando um especial destaque às temáticas relacionadas com a III Assembleia Geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, de modo a sublinhar, sempre e mais, a importância fundamental da família. Por isso, a família estará também no centro das atenções destas linhas que mensalmente partilhamos.