A capacidade de amar é um dom de Deus

14 de fevereiro de 2022

Na sociedade em que vivemos, o dia 14 de fevereiro é designado ‘Dia dos Namorados’. Em virtude disso, a Comissão Episcopal do Laicado e Família considera oportuno dirigir aos jovens cristãos uma mensagem sobre o namoro.

Por namoro entendemos um relacionamento privilegiado entre um rapaz e uma rapariga que se alimenta por um objetivo claro, embora nem sempre atingido: casar e vir a formar uma família.

As pessoas casadas e os jovens namorados sabem, de memória viva, onde e em que circunstâncias aconteceu aquele momento em que um decidiu declarar ao outro o amor que tinha dentro de si, já existente há algum tempo, mas só assumido naquele momento na esperança de ser correspondido.

Uma declaração de amor exige verdade, supõe uma coerência entre o sentimento mais profundo, a intenção e as palavras que se pronunciam; a condição da verdade não pode deixar de ser sublinhada e, por isso, ninguém deve brincar com o coração de outrem com base na mentira e no oportunismo. Com alegria, reconhecemos em muitos jovens uma sede de verdade nas suas vidas; a verdade no coração juvenil não pode deixar de ser valorizada.

Deus colocou no mais íntimo da pessoa a capacidade de se apaixonar por outra pessoa de sexo diferente e daí resultar a realização da vida e a origem de novas vidas. A capacidade de amar é um dom de Deus. O amor é misterioso, é dom interior. E a certa altura, por conviver de perto com certa pessoa, passou a ser imprescindível conversar com mais tempo porque, por especial empatia, ela já ocupa em lugar privilegiado dentro do seu coração.

Uma declaração de amor é coisa séria e tem consequências. Se for correspondida, estabelece-se um relacionamento de namorados. Pessoas que assumem o amor apaixonado e traduzido espontaneamente em atenções, delicadeza afetuosa e cuidados comuns.

Quando ao início de um relacionamento amoroso de namorados, se coloca a experiência de relações íntimas por necessidade de possuir, fica por acontecer a alegria da pura paixão, que é ‘fogo’ que arde sem queimar e expressão de liberdade interior. A paixão amorosa não é posse, é delicadeza e generosidade, é desejo de estar com a pessoa amada, sobretudo de estar no seu coração. A paixão gera a disposição e disponibilidade para fazer feliz a outra pessoa, contando que seja correspondida. É necessário tempo e não ter pressa. É necessário cultivar um amor respeitador e não egoísta.

Vivemos num tempo em que é necessário refletir e falar com seriedade acerca de todas as dimensões da vida humana e também da dimensão afetivo-sexual. Desejamos que os jovens cristãos sejam afetuosos e saibam viver a sua capacidade sexual com verdade, sinceridade, respeito e sabedoria. Saibam guardar-se e não queimar etapas. Uma afetividade mal gerida na juventude pode determinar negativamente a vida inteira.

O namoro requer tempo e verdade, é um caminho que se faz e se avalia. É necessário tempo para conhecer bem a outra pessoa, avaliar as diferenças na escala de valores de um e de outro. A experiência testemunhada diz-nos que existem sempre surpresas, e algumas muito desagradáveis, porque nunca se manifestaram em tempo de namoro. É determinante beneficiar do tempo de namoro, e mais tarde do tempo de noivado, para preparar responsavelmente o casamento, não apenas a celebração do matrimónio na igreja, mas toda uma vida em comum.

Não afastemos a luz da fé cristã para vivermos os relacionamentos afetuosos. Cristo ama os jovens e quer salvá-los da violência e da desgraça. Todas as capacidades que em nós despertam e se desenvolvem com o apoio de muitas pessoas, são dons naturais que, enriquecidos com o conhecimento e o dom sobrenatural da fé, tornam a pessoa mais harmonizada, íntegra e feliz.

Que o dia dos namorados sirva também para agradecer a capacidade de amar!