Discurso do Papa no quadragésimo aniversário da Associação de Pais das Escolas Católicas

«Nunca sacrifiqueis os valores humanos e cristãos dos quais sois testemunhas na família, na escola e na sociedade», recomendou o Papa Francisco aos membros da Associação de pais das escolas católicas (Agesc), recebidos em audiência na manhã de 5 de dezembro na sala Clementina, por ocasião do quadragésimo aniversário de fundação. Eis as expressões do Santo Padre.

 

 

Estimados irmãos e irmãs

É com prazer que dou as boas-vindas a todos vós, representantes da Associação de Pais das Escolas Católicas, na celebração do quadragésimo aniversário da vossa Fundação. Estais aqui não apenas para vos confirmardes no vosso caminho de fé, mas também para manifestar a verdade do compromisso que vos distingue: o livremente assumido, de ser educadores segundo o Coração de Deus e da Igreja.

Há pouco teve lugar um importante Congresso mundial, organizado pela Congregação para a Educação Católica. Naquela circunstância pus em evidência a importância de promover uma educação para a plenitude da humanidade, porque falar de educação católica equivale a falar de humano, de humanismo. Exortei a uma educação inclusiva, uma educação que reserve lugar a todos, e não escolha de maneira elitista os destinatários do seu compromisso.

É o mesmo desafio que hoje se apresenta também a vós. A vossa Associação põe-se ao serviço da escola e da família, contribuindo para a delicada tarefa de lançar pontes entre escola e território, entre escola e família, entre escola e instituições civis. É preciso restabelecer o pacto educativo, porque o pacto educativo se arruinou, porque o pacto educativo se fragmentou, e devemos recuperá-lo. Lançar pontes: não há desafio mais nobre! Construir a união onde progride a divisão, gerar harmonia quando parece predominar a lógica da exclusão e da marginalização.

Como associação eclesial, vós hauris do coração da própria Igreja a abundância da misericórdia, que faz do vosso trabalho um serviço quotidiano a favor do próximo. Como pais, sois depositários do dever e do direito primário e irrenunciável de educar os filhos, contribuindo neste sentido de maneira positiva e constante para a missão da escola. Tendes o direito de exigir uma educação conveniente para os vossos filhos, uma educação integral e aberta aos valores humanos e cristãos mais autênticos. No entanto, deveis também fazer com que a escola permaneça à altura da tarefa educacional que lhe foi confiada, de modo particular quando a educação que ela propõe se expressa como «católica». Rezo ao Senhor a fim de que a escola católica nunca dê por certo o significado deste adjectivo! Com efeito, ser educador católico faz a diferença.

Então, devemos interrogar-nos: quais são os requisitos pelos quais uma escola possa definir-se verdadeiramente católica? Este pode ser um bom trabalho para realizar na vossa Associação. Sem dúvida, vós já o fizestes e ainda o fazeis; mas os resultados nunca são alcançados de uma vez para sempre. Por exemplo: sabemos que a escola católica deve transmitir uma cultura integral, não ideológica. Mas o que significa isto concretamente? Ou então, estamos persuadidos de que a escola católica é chamada a favorecer a harmonia das diversidades? Como se pode realizar isto de modo concreto? Trata-se de um desafio nada fácil. Graças a Deus, na Itália e no mundo existem muitas experiências positivas que se podem conhecer e compartilhar.

No encontro que teve convosco em Junho de 1998, são João Paulo II confirmou a importância da «ponte», que deve existir entre escola e sociedade. Nunca vos esqueçais da exigência de construir uma comunidade educadora em que, juntamente com os professores, com os vários agentes e com os estudantes, também vós pais possais ser protagonistas do processo educacional.

Não permaneçais fora do mundo, mas vivos, como o fermento na massa. O convite que vos dirijo é simples, mas audaz: sabei fazer a diferença com a qualidade da formação. Sabei encontrar modos e vias para não serdes ignorados, nos bastidores da sociedade e da cultura. Não despertando clamores, nem com programas cheios de retórica. Sabei distinguir-vos pela vossa atenção constante à pessoa, de maneira especial aos últimos, a quantos foram descartados, rejeitados e esquecidos. Sabei fazer-vos notar não pela «fachada», mas por uma coerência educativa arraigada na visão cristã do homem e da sociedade.

Num momento em que a crise da economia se faz sentir de maneira grave também nas escolas particulares, muitas das quais são obrigadas a fechar, a tentação dos «números» apresenta-se com maior insistência e juntamente com ela, a do desânimo. Não obstante tudo, repito-vos: a diferença faz-se com a qualidade da vossa presença, e não com a quantidade de recursos que é possível utilizar. A qualidade da vossa presença para construir pontes. E apreciei o facto de que o senhor Presidente, falando da escola, tenha recordado as crianças, os pais e também os avós. Porque os avós têm algo para oferecer! Não descarteis os avós, que constituem a memória viva do povo!

Nunca sacrifiqueis os valores humanos e cristãos dos quais sois testemunhas na família, na escola e na sociedade. Oferecei generosamente a vossa contribuição para que a escola católica jamais se torne um «expediente», nem uma alternativa insignificante entre as várias instituições formativas. Colaborai a fim de que a educação católica tenha o semblante daquele novo humanismo, que foi posto em evidência durante o Congresso eclesial de Florença. Esforçai-vos para que as escolas católicas sejam verdadeiramente abertas a todos. O Senhor Jesus, que na Sagrada Família de Nazaré crescia em idade, sabedoria e graça (cf. Lc 2, 52), acompanhe os vossos passos e abençoe o vosso compromisso diário.

Obrigado por este encontro, obrigado pelo vosso trabalho e pelo vosso testemunho. Garanto-vos que me recordo de vós nas minhas preces. E vós, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim!