WASHINGTON DC, 09 Set. 15 / 02:00 pm (ACI).- Um livro recentemente publicado sobre o Sínodo Extraordinário da Família de 2014 aponta algumas evidencias de uma agenda oculta impulsionada por alguns bispos. “Pensei que era importante investigar a respeito do que aconteceu porque tinha escutado – e muita gente tinha ouvido também – algumas acusações sobre a manipulação do último Sínodo”, assegura Edward Pentin, autor de um novo livro a respeito deste tema.

 

O título do livro é “The rigging of a Vatican Synod? An Investigation of Alleged Manipulation at the Extraordinary Synod on the Family” (O engano de um Sínodo vaticano? Uma investigação sobre a suposta manipulação do Sínodo Extraordinário sobre a Família).

“Como jornalista senti que era minha obrigação procurar a verdade, descobrir a verdade em nome da justiça”, disse Pentin ao Grupo ACI durante uma entrevista recente.

Como repórter em Roma, Pentin cobriu o Sínodo de 2014 sobre a família. Posteriormente, falando com numerosas fontes – algumas anônimas e outras muito conhecidas – que estavam relacionadas ao Sínodo, algumas afirmaram que havia entre alguns bispos uma agenda secreta durante os trabalhos deste importante evento eclesiástico.

Pentin é o novo correspondente do National Catholic Register que, assim como CNA e o Grupo ACI, pertence e trabalha com a EWTN.

Pentin assegura que não houve uma conspiração durante o Sínodo, mas um grande esforço por parte de alguns bispos a fim de incluir sua própria agenda de temas no processo de discussão pastoral e cuidado das famílias.

Apesar de o livro não oferecer conclusões fechadas sobre a agenda secreta, Pentin afirma que tem evidências suficientes de seus entrevistados e apresenta sua investigação ao leitor a fim de que cada um tire suas próprias conclusões.

A “injustiça” que Pentin encontrou foi que a visão do Papa Francisco sobre os bispos presentes no Sínodo não foi somente ignorada, mas “agressivamente desatendida” por alguns prelados.

“A injustiça foi que uma das partes se queixava de que não lhe escutava devidamente e surpreendentemente esse lado era o que tentava estar contra a tradição e os ensinamentos da Igreja”, afirmou Edward.

De qualquer maneira, conforme afirma Pentin, bispos de “todos os setores” se queixaram com ele pela falta de diálogo e transparência.

“Queria ter as duas versões. Desta maneira, falei com os que se dizem o lado liberal da Igreja e também com aqueles que tentam defender sua tradição e magistério”, disse Pentin ao Grupo ACI.

“Não estava ali para assinalar ninguém, nem para perseguir uma agenda ou alguns temas. Simplesmente queria divulgar a verdade”.

Pentin detalha numerosas evidencia desta agenda oculta nos trabalhos. “Existe bastante informação nova no livro que as pessoas não conhecem”, assegura.

Por exemplo, o debate acerca de permitir ou não que os divorciados em nova união recebam a comunhão que monopolizou o Sínodo foi “muito discutido”, assegura Pentin.

Quando o tema apareceu nas conversações e no relatório durante o Sínodo, a informação foi publicada nos meios durante a confusão e a desinformação, por isso muitos bispos perceberam que isso provinha de uma agenda paralela que queriam impor atrás dos bastidores, afirma o autor.

“Eclipsou muitas das discussões do Sínodo, embora este tema fosse muito discutido durante este”, explicou Pentin.

Muitos estavam preocupados com a prolongação do debate “porque foi utilizado como uma maneira de conduzir a Igreja ao reconhecimento das uniões do mesmo sexo, a convivência antes do matrimônio e mudanças relacionadas ao Magistério da Igreja a respeito da sexualidade”.

O responsável pelos relatórios jornalísticos que foram controversos foi o Cardeal Péter Erdö (Hungria), o qual foi “amedrontado, coagido e obrigado a escrever documentos que realmente não queria escrever”, por parte de algumas pessoas da Secretaria, aponta Pentin.

O Cardeal Wilfrid Napier, Arcebispo de Durban (África do Sul), que “tentava manter a Tradição da Igreja” com relação a união de casais do mesmo sexo, foi afastado das reuniões do rascunho final do Sínodo.

“Durante os encontros com o Cardeal Baldisseri e outros oficiais do Sínodo, o Cardeal Napier tentou mostrar que suas propostas estavam sendo ignoradas”, declarou Pentin, “mas durante duas ocasiões foi ignorado”.

O Cardeal Napier não queria incluir o tema das uniões entre pessoas do mesmo sexo dentro das relacionadas com o matrimônio. O Cardeal Donald Wuerl, Arcebispo de Washington (Estados Unidos) ficou indignado pela forma que trataram o Cardeal Napier e manifestou durante as reuniões que deveria ser escutado.

No seu livro, Pentin ainda explica como alguns bispos do Sínodo tentaram intimidar o editor de um dos principais livros em defesa da doutrina católica. Cada um dos bispos do Sínodo recebeu um exemplar.

O Pe. Robert Dodaro foi o editor de “Permanecer na Verdade de Cristo”, uma recopilação de textos de bispos e teólogos defendendo os ensinamentos da Igreja com relação às pessoas divorciadas e em nova união. Esta publicação foi enviada aos participantes do Sínodo, antes de iniciarem as sessões de trabalho.

De qualquer maneira, era “evidente” que “vários oficiais do Sínodo tentaram que o livro fosse eliminado”, afirma Pentin.

“Este Sínodo não é como na época anterior ao Concílio Vaticano II. Isto realmente não é um corpo canônico, não tem muito peso. Na verdade, é um órgão consultivo para o Papa, que será aquele que tomará a decisão”, explicou o autor do livro.

É importante compreender por que “aqueles que promovem esta agenda fazem deste Sínodo algo muito maior do que realmente é”, assegura. “Acho que muitos deles o consideram quase como um terceiro Concílio Vaticano”.

Apesar da controvérsia, Pentin espera que o Sínodo a ser realizado em outubro deste ano seja “catequético” a fim de que “mostrem claramente o que a Igreja ensina através deste debate”.