Apesar de um tumor, uma mulher inglesa de 32 anos decidiu levar adiante a gravidez submetendo-se a um tratamento de quimioterapia mais brando

 

Roma, 17 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Federico Cenci 

“Não foi difícil para mim tomar essa decisão, eu queria ficar com o bebê…”. Com os olhos radiantes e um doce sorriso, Heidi Loughlin contou ao Daily Express sua experiência de mulher grávida doente de câncer, que desistiu do aborto terapêutico.

A mulher de trinta e dois anos, policial inglesa, se deu conta de algo estava mal quando amamentava outro dos seus filhos, com o nome de Tait. Uma forte dor e uma grande inflamação nos seios. A mãe, que, no entanto, estava no terceiro mês, foi ao médico, que minimizaram o problema dizendo que era uma forma de mastite (inflamação no seio que pode acontecer durante a lactação). Então, deram-lhe antibióticos e a enviaram para casa.

Os médicos descartaram a possibilidade de um câncer, simplesmente baseando-se no fato de que a família de Heidi nunca teve um caso deste tipo e no fato de que Heidi sempre ter tido um estilo de vida saudável, sem beber ou fumar.

Apesar do tratamento com antibióticos, os sintomas pioraram nos dias seguintes. Em setembro passado Heidi voltou a submeter-se a um exame, que, desta vez, não deixou margem para dúvidas. Foi diagnosticada com um câncer de mama inflamatório, doença rara e agressiva.

Os médicos convidaram-na a recorrer o mais rápido possível a um tratamento quimioterápico e sugeriram o aborto. Citando estudos científicos, explicaram-lhe que a quimioterapia na gravidez pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e cardíaco da criança durante a primeira infância.

Motivações que não convenceram a mulher. Heidi permaneceu firme e decidida na sua posição: dar à luz ao bebê, dar aos outros filhos um irmãozinho. “Para mim e para o meu companheiro Keith, a saúde da criança foi a coisa mais importante – explica hoje ao Bristol Post, jornal local da sua região – a interrupção da gravidez nunca foi uma opção, sempre fomos muito claros sobre isso”.

A rejeição do aborto num país como a Inglaterra, onde a cada ano cerca de 200 mil crianças morrem antes do nascimento (acrescentando também os abortos do País de Gales), deixa perplexos os médicos. Estes, porém, devem aceitar a vontade do paciente; indicam-lhe, então, submeter-se a uma forma de quimioterapia mais leve e lhe prescrevem um remédio hormonal que deve ser tomado até o momento do parto.

Heidi explica que este tratamento tem uma percentagem muito menor de eficácia, e também diz que seu tumor requer o mais rapidamente possível uma cura intensificada. De tal forma que o parto será induzido para que a criança nasça prematura, talvez no próximo Ano Novo, para que Heidi possa começar o tratamento apropriado para o seu mal.

“O prognóstico típico (para este tipo de doença, ndr) é de dois a cinco anos de vida, mas isso não significa que se você chegar aos cinco anos, certamente vai morrer. Pode acontecer um milagre, por isso tenho o desejo de seguir adiante ainda… pelos meus filhos, que são a coisa mais importante do mundo. São o que me faz seguir adiante”. Palavras que confirmam a coragem de uma mãe, pronta para enfrentar também um calvário, por amor aos seus filhos; dos dois que já nasceram e daquele que deseja visceralmente ver nascer.