Cidade do Vaticano, 09 de Outubro de 2015 (ZENIT.org) – Vêm do México e da África do Sul os primeiros testemunhos de casais auditores no Sínodo sobre a Família. Dois casais maduros, com, respectivamente, 45 e 35 anos de casamento, muitas dificuldades e sempre iluminados pela fé.

 

Clara Rubio De Galindo e Andrés Salvador Galindo Lopez são os secretários executivos da Comissão Episcopal para a Família da Conferência Episcopal Mexicana, além de secretários do CELAM para a área México- América Central. Nesta segunda-feira, eles falaram na Sala Paulo VI em frente aos padres sinodais.

O casal Galindo Rubio, junto com dois filhos e quatro netos, contou seus primeiros anos de casamento, “nada fáceis” por causa de “pressões” familiares contrárias à sua união: houve até um dia em que um familiar se apresentou na casa deles com os papéis do divórcio prontos para ser assinados (!)

Sem nunca ceder a essas hostilidades, os dois jovens cônjuges foram em frente, mesmo sem terem “uma compreensão clara do que significava o sacramento do matrimônio”, como eles mesmos admitiram.

Providencialmente, no entanto, Andrés e Clara foram introduzidos numa jornada de fé em que aprenderam a “comunicar”, a “perdoar”, mas, acima de tudo, a “descobrir o plano de Deus” para eles.

Uma grande provação para os cônjuges começou quando Andrés ficou desempregado e a situação econômica ameaçou ficar seriamente “comprometida”. Naquela difícil circunstância, eles foram convidados por um amigo a uma peregrinação à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, onde dedicaram uma sincera e sofrida oração à Virgem Maria para que o seu drama tivesse uma solução.

Saindo do santuário, Andrés e Clara receberam a proposta de colaborar na pastoral da família, o que aceitaram depois de um atento discernimento. “A primeira coisa que pensamos foi recusar, porque antes tínhamos que resolver os nossos problemas econômicos”.

Assim começou para eles um intenso apostolado com foco na família, unidade básica da nossa sociedade que precisa de resgate “através da formação e do conhecimento da sua identidade e missão”.

Diante dos “pequenos e grandes ataques de algumas instituições governamentais ou civis contra o casamento, a família e a vida”, a pastoral familiar precisa de “pastores enamorados do plano de Deus”, para que “as famílias sejam guiadas, acompanhadas e formadas de acordo com o plano de Deus para viver a sua própria identidade e missão”, concluíram os cônjuges mexicanos.

Na terça-feira, tomaram a palavra Meshack Jabulani e Buysile Patronella Nkosi, membros do Comitê Consultivo para o Secretariado Nacional Familiar da Conferência Episcopal da África do Sul.

Três de seus cinco filhos são casados na Igreja com cônjuges não católicos, “caminhando em duas fés, mas num só amor”. Um genro e uma nora do casal Nkosi, no entanto, desejam entrar na Igreja de Roma e serão batizados na próxima Páscoa.

Faz 33 anos que Meshack e Buysile realizam atividades catequéticas para os jovens, ajudando-os a fazer “escolhas para a vida”.

O casal teve e ainda tem “muitos desafios”, que às vezes surgem por “não verem as coisas da mesma forma” ou por “magoarem um ao outro”, mas sempre viveram seu relacionamento tentando ser “humildes o bastante para dizer ‘me desculpe’, ‘por favor’ e ‘obrigado’, expressões que, segundo o papa Francisco, são essenciais para viver em paz e harmonia como família”.

A opção dos cônjuges Nkosi por “comprometer-se em amar para sempre” é “ridicularizada e desencorajada” pela “cultura do descarte”, observaram eles. “Os jovens tendem a ter medo de se casar e veem este compromisso como um fardo. Parte da nossa vocação é incentivá-los a entrar no caminho do sacramento do matrimônio, olhando para Cristo como a sua nova esperança”.

Na criação dos filhos e ao vê-los formar sua própria família, o casal Nkosi sempre repassou a eles a sua fé, os “valores cristãos” e a “cultura do humano”, que, na sua língua local, é definida pelo termo “Ubuntu”. Esse testemunho trouxe “alegria e satisfação” à sua vida, tornando-os “mais completos e mais ricos através da graça de Deus”.