2015-10-20 Rádio Vaticana – O Sínodo dos Bispos está a viver a sua terceira e última semana da XIV Assembleia Geral Ordinária dedicada ao tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Para uma síntese dos trabalhos sinodais até ao momento a Rádio Vaticano falou com o secretário especial do Sínodo, D. Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto em Itália, que começou por se referir ao clima de extrema liberdade que se respira no Sínodo:

 

“O meu parecer é de um clima de grande envolvimento de todos os padres sinodais. O Papa Francisco pediu que se falasse de tudo com extrema liberdade. Deixou claro no início do Sínodo extraordinário: “Não há nada de que não se possa falar”. E isso está sendo feito e creio que seja muito construtivo, porque mostra uma Igreja viva, corresponsável e participante. Traduzir essa participação e esse envolvimento num espírito de complôs ou de divisões, parece-me ser algo forçado de quem olha as coisas somente de fora, sem vivê-las internamente. Não nos esqueçamos que somos todos homens de fé, que têm responsabilidade diante de Deus e diante dos irmãos. E isso nos une mais fortemente do que todas as possíveis e hipotéticas contraposições que gostariam de atribuir-nos.”

“Além de propor o valor e a beleza da família, articulando o seu significado de modo especial em resposta às exigências e aos desafios do nosso tempo, creio que um caminho pastoral muito concreto seja o que se articula, em primeiro lugar, no estilo do acompanhamento, que significa acolhimento de todos, companhia da vida e da fé. Portanto, proximidade, escuta, partilha. Em seguida, empenho de integração para todos, a fim de que os carismas e os ministérios de cada um sejam valorizados. E é na ótica desse caminho de acompanhamento e de integração que deve ser avaliada também a diferente forma e intensidade de participação de todos os batizados – especialmente daqueles que vêm de famílias feridas – também na vida sacramental da Igreja.”

Nas suas declarações à RV, D. Bruno Forte sublinhou ainda a ligação deste Sínodo com o Jubileu da Misericórdia:

“A misericórdia é o coração do Evangelho: uma Igreja que não fosse especialista em misericórdia, que não a vivesse e a anunciasse a todos, sem distinções, não seria fiel nem mesmo ao Evangelho. Quem quer contrapor verdade e misericórdia esquece que a verdade do Deus cristão é o amor do Deus Trino: portanto, a misericórdia como centro, coração, ponto de início e de orientação de tudo aquilo que vivemos. O Papa Francisco recordou-nos isso na Bula ‘Misericordiae Vultus’. Este Sínodo está a procurar entender como este primado da misericórdia pode ser aplicado em todas as formas da vida pastoral em relação à família e, em particular, às famílias feridas.”

“A estrada é caminhar em profunda comunhão com o Papa Francisco, com o primado do Evangelho e da graça, com a gradualidade do acompanhamento e da integração. Creio que se poderá encontrar um amplo consenso sobre isso e depois será o Santo Padre a definir as formas em matéria concreta, porque o presidente do Sínodo é ele, a quem entregaremos o fruto do nosso trabalho.”

(RS)

 

(from Vatican Radio)