Casais falaram de intimidade sexual, evangelização e acolhimento dos filhos

Cidade do Vaticano, 08 de Outubro de 2014 (Zenit.orgSalvatore Cernuzio 

Já houve espaço, neste sínodo dos bispos sobre a família que acontece no Vaticano até o dia 19, para escutar os casais convidados a dar seu testemunho sobre a vida familiar.

O primeiro casal falou na tarde da segunda-feira, dia inicial do sínodo: Ron e Mavis Pirola, australianos, que narraram o percurso dos seus 55 anos de matrimônio.

Em particular, os dois esposos se concentraram na “intimidade sexual”, ponto de apoio da vida de casal entendida em sentido cristão. “Pouco a pouco, nós nos demos conta de que a única característica que distingue a nossa relação sacramental de qualquer outra boa relação centrada em Cristo é a intimidade sexual, e que o matrimônio é um sacramento que encontra a sua máxima expressão numa relação sexual”, explicaram.

“Nós acreditamos que, enquanto os casais unidos em matrimônio não chegarem a respeitar a união sexual como parte essencial da sua espiritualidade, será extremamente difícil apreciar a beleza de ensinamentos como os da encíclica Humanae Vitae”.

Segundo os dois cônjuges, “nós precisamos de novos modos e de novas linguagens facilmente reconhecíveis para tocar no coração das pessoas”. Neste sentido, a “Igreja doméstica” tem muito a oferecer à Igreja universal nas modalidades de evangelização.

Eles citaram o caso de amigos seus que têm um filho homossexual. Eles “estavam organizando a reunião familiar de Natal quando o filho disse que gostaria de levar o seu companheiro. Eles acreditavam plenamente nos ensinamentos da Igreja e também eram conscientes de que os seus netos teriam gostado de ver aquele filho e seu companheiro sendo acolhidos na família. A resposta deles pode ser resumida em três palavras: ‘É nosso filho'”.

Segundo o casal, este é o “modelo de evangelização” que as paróquias deveriam aprender das igrejas domésticas que são as famílias. Outro caso mencionado pelo casal é o de uma amiga divorciada que “diz que, às vezes, não se sente plenamente acolhida na sua paróquia. Mesmo assim, ela vai à missa regularmente e sem se lamentar com seus filhos. Para o resto da paróquia, ela deveria ser um modelo de valentia e de compromisso no meio das adversidades”, observaram Ron e Mavis, destacando que, de pessoas como ela, “aprendemos a reconhecer que todos nós temos feridas internas na vida”. Ser consciente das próprias feridas internas “ajuda enormemente a reduzir a tendência a julgar os outros, uma atitude que representa um poderoso obstáculo para a evangelização”.

Na terça-feira de manhã, foi a vez de George e Cynthia Campos, casal de Manila, nas Filipinas. Ambos estão muito comprometidos na associação leiga “Casais para Cristo”, reconhecida pelo Pontifício Conselho para os Leigos. George é o presidente do grupo, que tem como objetivo renovar e reforçar a vida e os valores da família cristã. O movimento está presente em todas as províncias e dioceses das Filipinas e já foi “exportado” para outros 163 países.

Pais de quatro filhos, casados há 27 anos, os Campos passaram a metade da vida “sendo uma catequese vivente da nossa visão de vida em família no Espírito Santo para renovar a face da terra”.

Eles se conheceram no convento das Irmãs Rosas, uma congregação contemplativa onde Cynthia vivia uma experiência de noviciado e George era acólito. Os dois resolveram “servir ao Senhor juntos como casal”, tornando-se “discípulos missionários em tempo integral”, comprometidos com formações didáticas e encontros semanais de oração com outros casais em vários países, como Vietnã, Tailândia e Austrália. Os filhos seguem seu exemplo ocupando-se das atividades das crianças, dos jovens e dos solteiros do movimento “Casais para Cristo”.

Os Campos falaram dos eventos dramáticos que marcaram seu matrimônio, superados graças a uma profunda fé em Deus. Em primeiro lugar, uma gravidez de risco de Cynthia: “Na quarta gravidez, eu tive diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. Disseram que a minha vida corria perigo se eu continuasse a gestação e que a criança tinha muitas probabilidades de nascer com alguma anomalia. Foi uma prova de fé e de confiança em Deus. Decidimos ter o bebê e respeitar a vontade do Senhor. Pela graça de Deus, sobrevivemos as duas, eu e a minha filha Christen, que nasceu sadia e cheia de vida”.

Mais difícil, para os cônjuges, foi enfrentar o câncer de mama diagnosticado em Cynthia em 1998. Os médicos lhe davam no máximo 6 meses de vida. Em vez de renunciar ao seu trabalho, Cynthia continuou com mais paixão ainda, “apoiada pelas orações da família e da nossa comunidade do movimento. A minha oração era: ‘Senhor, simplesmente com um toque dos teus dedos esta doença poderia ser curada. Basta que Tu queiras’. Deus escutou as nossas orações e eu estou de pé, depois de ficar curada com uma operação simples e com uma dose de antibióticos”.

(08 de Outubro de 2014) © Innovative Media Inc.