No encontro que durou cerca de 40 minutos abordaram questões sobre a paz, o diálogo, a liberdade religiosa e o Acordo Nuclear

 

26 janeiro 2016 – “Reze por mim”, “foi um prazer” visitar o Vaticano, “desejo-lhe um bom trabalho”. São algumas das frases que o presidente do Irã, Hassan Rohani, dirigiu ao Papa Francisco durante uma audiência privada no Vaticano nesta terça-feira (26), que durou aproximadamente 40 minutos.

O presidente, em visita oficial à Itália, chegou com uma comitiva de 12 pessoas, entre elas: o ministro iraniano para as Relações Exteriores, o embaixador e o vice-embaixador do Irã junto à Santa Sé. Todos homens, exceto uma mulher tradutora. O chefe de Estado falava em farsi, enquanto o Papa falava em italiano. “Muito obrigado por esta visita – disse Francisco dando as boas-vindas ao presidente – e espero na paz”.

Rohani também se reuniu com Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin e o secretário para as Relações com os Estados, Dom Paul Richard Gallagher.

Durante os cordiais colóquios – informa um comunicado da Sala de imprensa do Vaticano – “foram evidenciados os valores espirituais em comum e o bom estado das relações entre a Santa Sé e a República Islâmica do Irã, a vida da Igreja no país e a ação da Santa Sé em favor da promoção da dignidade humana e da liberdade religiosa”.

Foi abordado também o tema da recente conclusão e aplicação do Acordo Nuclear e destacou-se que o “Irã é chamado a desempenhar um importante papel, junto com os outros países da região, para promover soluções políticas adequadas às problemáticas que afligem o Oriente Médio, contrastando a difusão do terrorismo e o tráfico de armas”.

A este respeito, foi recordada “a importância do diálogo inter-religioso e a responsabilidade das comunidades religiosas na promoção da reconciliação, da tolerância e da paz”.

No momento da tradicional troca de presentes, o Papa entregou ao Presidente a medalha de São Martinho cobrindo com seu manto um pobre: “Um sinal de fraternidade gratuita”, comentou, e também duas cópias da Encíclica Laudato Si. “Não existe uma versão em farsi – disse Bergoglio – então, entrego-lhe uma cópia em Inglês e gostaria de dar-lhe uma cópia em árabe”. Rohani retribuiu com um tapete persa retangular, feito à mão na cidade sagrada de Qom e um grande livro de pintura iraniana.

O líder islâmico foi o segundo presidente do Irã a ser recebido por um Papa no Vaticano. Antes dele, São João Paulo II havia recebido no Palácio Apostólico, em 1999, Mohammad Khatami.

Esta é a primeira viagem do presidente iraniano para a Europa após o fim das sanções internacionais sobre o programa nuclear de Teerã. Depois da Itália, a próxima parada será na França.

Ontem, o presidente falou durante o fórum de negócios Itália-Irã sobre economia, terrorismo e a tolerância, insistindo que “o Alcorão encoraja os muçulmanos a proteger primeiramente as igrejas e sinagogas”. Em seguida, encontrou-se com o Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella e com o primeiro-ministro Matteo Renzi.

Ao centro dos colóquios, a questão nuclear – disse Rohani – pode tornar-se um modelo a ser aplicado no Oriente Médio, África e Sul do Mediterrâneo. O presidente também exortou a realizar uma grande coesão internacional para derrotar o terrorismo. (S.C)