Biblioteca Vaticana está digitalizando obras únicas dos missionários que estiveram na China no século XVI

 

Roma, 30 de Janeiro de 2015 (Zenit.org)

As difíceis relações diplomáticas entre a China e o Vaticano registraram sinais de melhora nos últimos meses. Entre eles, houve dois eventos culturais importantes: a viagem do Coral Pontifício da Capela Sistina, em setembro do ano passado, a Taipei e Macau, e, neste mês de janeiro, a apresentação dos 44 volumes da coleção de obras históricas e literárias chinesas da época Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911), preservadas na Biblioteca Vaticana.

O projeto é uma parceria entre a Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim e a Biblioteca do Vaticano, com a ajuda da Universidade La Sapienza e do Instituto Confúcio, ambos em Roma.

As primeiras negociações começaram em 2008, quando o material começou a ser digitalizado. O padre Cesari Pasini, prefeito da Biblioteca Vaticana, declarou que, “no início, foram selecionados alguns volumes, já que a Biblioteca do Vaticano tem 3 mil obras impressas ou manuscritas da China, embora muitas delas também existam em outros países e em melhor estado”. Selecionaram-se, portanto, livros únicos, alguns de grande importância para a história da China. O prefeito da biblioteca recorda que, além do latim e do grego, a instituição se abriu a outros idiomas a partir do século XVI.

“Todos os missionários, incluindo Ricci e outros que viajaram à China, traduziram obras literárias ou científicas e reproduziam a catequese em chinês”.

Entre os livros mais estudados estão as obras dos missionários jesuítas, franciscanos e dominicanos, como o livro impresso em 1674 pelo jesuíta Ferdinand Verbiest, que traz uma ilustração em página dupla do Observatório Imperial de Pequim, montado precisamente pelos jesuítas depois de fazerem uma demonstração com instrumentos astronômicos.

Os livros publicados na China e na Europa foram um meio para “o conhecimento recíproco em vários níveis: teológico, filosófico, científico e literário. Portanto, trata-se de um diálogo entre as culturas, entre os povos. Em geral, os missionários são capazes deste diálogo, e, assim, nasce este aspecto positivo do conhecimento que constrói novos caminhos”.