Vaticano, 18 Nov. 15 / 10:52 am (ACI).- Em sua catequese desta quarta-feira sobre o sentido da Porta Santa no Ano da Misericórdia, o Papa Francisco exortou as famílias cristãs a serem um sinal da misericórdia e da acolhida de Deus.

 

O Santo Padre recordou que “a Sagrada Família do Nazaré sabe bem o que é uma porta fechada e uma porta aberta, para quem espera um filho, para quem não tem amparo, para quem foge do perigo”.

Por isso, o Papa incentivou as famílias cristãs a fazerem “de seu limiar de casa um pequeno grande sinal da Porta da misericórdia e do acolhimento de Deus”.

“Assim deve ser reconhecida a Igreja por toda a terra: como a guardiã de um Deus que bate à porta, como a recepcionista de um Deus que não fecha a porta com a desculpa de que não somos de casa”, disse.

No limiar do Ano Jubilar da Misericórdia – que se inicia em 8 de dezembro –, Francisco assinalou que “diante de nós, encontra-se a grande porta da Misericórdia de Deus, que acolhe nosso arrependimento oferecendo a graça de seu perdão”.

“A porta é generosamente aberta, mas nós devemos valorosamente cruzar o limiar”, assinalou.

O Papa indicou que depois do recente Sínodo dos Bispos sobre a Família, “todas as famílias, e a Igreja inteira, receberam um grande fôlego para encontrar-se sob o limiar desta porta”.

“A Igreja foi encorajada a abrir as suas portas para sair, com o Senhor, ao encontro dos filhos e filhas em caminho, às vezes incertos, às vezes perdidos, nesses tempos difíceis. As famílias cristãs, em particular, foram encorajadas a abrir a porta ao Senhor que espera para entrar, trazendo sua bênção e sua amizade”, assinalou.

O Santo Padre indicou que “é um mau sinal” que existam lugares onde as portas blindadas se converteram em normais. ““não devemos render-nos à ideia de aplicar este sistema à vida da família, da cidade, da sociedade e, menos ainda, à vida da Igreja”, disse.

Aplicar este modelo na vida da Igreja, advertiu, “seria terrível! Uma Igreja sem hospitalidade, assim como uma família fechada em si mesma, mortifica o Evangelho e desertifica o mundo”.

O Papa explicou que a porta deve proteger, mas não rechaçar. “A porta não deve ser forçada, ao contrário, pede-se permissão, porque a hospitalidade resplandece na liberdade da acolhida, e se obscurece na prepotência da invasão”.

“A gestão da porta necessita um atento discernimento e, ao mesmo tempo, deve inspirar grande confiança”, explicou o Papa, expressando também seu agradecimento “para todos os porteiros: de nossos condomínios, das instituições cívicas, e mesmo das Igrejas”.

Francisco indicou que “nós somos os guardiões e os servos da Porta de Deus, que é Jesus. Ele nos ilumina em todas as portas da vida, inclusive aquela de nosso nascimento e de nossa morte”.

“Jesus é a porta que nos faz entrar e sair. Porque o rebanho de Deus é um amparo, não uma prisão!”, assinalou. E, advertiu que “são os ladrões aqueles que tratam de evitar a porta, porque têm más intenções, e se metem no rebanho para enganar as ovelhas e aproveitar-se delas”.

O Papa indicou que “nós devemos passar pela porta e escutar a voz do Jesus: se sentirmos seu tom de voz, estamos seguros, somos salvos. Podemos entrar sem temor e sair sem perigo”.

“Se o guardião escutar a voz do Pastor, então abre, e faz entrar em todas as ovelhas que o Pastor traz, todas, inclusive aquelas perdidas no bosque, as quais o Bom Pastor foi buscar”.

Francisco explicou que “Não é o guardião que escolhe as ovelhas, mas o Bom Pastor. O guardião – também ele – obedece a voz do Pastor”.

“Então, podemos bem dizer que nós devemos ser como este guardião. A Igreja é a porteira da casa do Senhor, não a patroa”, indicou.