Rádio Vaticana – Lahore (RV) – Prosseguem as detenções de cristãos acusados falsamente de blasfêmia, com base em motivos mais diversos. Segundo os novos casos assinalados pela imprensa paquistanesa, uma das vítimas é o jovem cristão Naveed John, 24 anos, acusado e preso em Sargodha, no Punjab.

 

Segundo uma tradição comum entre os grupos cristãos pentecostais e carismáticos, o jovem estava rezando por outra pessoa, pedindo a Deus que a libertasse de males físicos e espirituais. Em sua casa, com frequência vinham fiéis de várias religiões, inclusive muçulmanos, pedindo-lhe de rezar por eles. Um deles, um agente de polícia à paisana, levou uma espada sobre a qual estavam inscritos versículos do Alcorão e quando o jovem a colocou sob suas pernas, o denunciou, afirmando que Naveed agiu intencionalmente para ofender o Alcorão. Como informou a Ong LEAD, também a família da vítima agora está sendo ameaçada.

Em outro caso, um cristão paquistanês e a sua família foram obrigados a abandonar a sua residência para fugir da ira de uma multidão de muçulmanos que o acusava de blasfêmia. O caso se verificou na região de Wazirabad, no Punjab, onde Aftab Gill, 40 anos, ia pegar água limpa na fonte de uma mesquita, como muitos outros na comunidade.

Um muçulmano disse-lhe: “Os cristãos não estão autorizados a usar essa água, senão vocês infiéis a contaminarão. Se quiserem a água, devem se converter ao Islã”. Gill e os seus filhos rejeitaram se converte, e nasceu uma discussão em que a polícia interveio para separar. Cerca de 200 homens se reuniram para agredir Gill e a sua família, acusando-os de blasfêmia. A polícia teve que intervir para salvar a família do linchamento.

“A lei sobre a blasfêmia está promovendo no Paquistão um clima de intolerância, gerando a violação de uma vasta gama de direitos humanos, inclusive os direitos à liberdade de expressão e de religião”, destaca o advogado cristão Sardar Mushtaq Gill, responsável pela Ong, LEAD. (SP)

 (from Vatican Radio)