VATICANO, 07 Out. 15 / 11:40 am (ACI).- A família pode ser e deve ser a família de Deus pelo que “se poderia dizer que o ‘espírito familiar’ é a carta magna da Igreja”. Além disso, o mundo necessita uma “robusta injeção” deste espírito, posto que na sociedade não lhe dá o devido “peso, reconhecimento e apoio”.

 

Foi o que afirmou o Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira na Praça de São Pedro, enquanto no Vaticano se realiza até 25 de outubro o Sínodo dos Bispos sobre a Família.

Em sua Catequese, o Santo Padre recordou que “a família que caminha na via do Senhor é fundamental no testemunho do amor de Deus e merece por isso toda a dedicação de que a Igreja é capaz”.

Por isso, “o Sínodo está chamado a interpretar, para o hoje, esta solicitude e este cuidado da Igreja”.

Francisco afirmou que “um olhar atento à vida diária dos homens e mulheres de hoje mostra imediatamente a necessidade que há em todas partes de uma robusta injeção de espírito familiar”.

O Santo Padre assinalou que “o estilo das relações parece muito racional, formal, organizado, mas também muito ‘desidratado’, árido, anônimo”.  “Converte-se, às vezes, em insuportável” e “na realidade abandona à solidão e ao descarte um número cada vez maior de pessoas”.

O Pontífice manifestou a razão de por que a família abre a toda a sociedade uma perspectiva mais humana: “Abre os olhos dos filhos à vida – e não só a visão, mas também todos os outros sentidos – representando uma visão da relação humana edificada sobre a livre alienação do amor”.

“A família introduz a necessidade de laços de fidelidade, sinceridade, confiança, cooperação, respeito; anima a projetar um mundo habitável e a acreditar em relações de confiança, também em condições difíceis”.

Além disso, “ensina a honrar a palavra dada, o respeito das pessoas, o compartilhar os limites pessoais e os dos outros”.

“Todos somos conscientes da insubstituível atenção familiar aos membros mais novos, mais vulneráveis, mais feridos e inclusive mais desastrosos nas condutas de sua vida”.

“Na sociedade – completou o Papa –, quem pratica estas atitudes, assimilou-as do espírito familiar, não da competição e do desejo de autorrealização.

O Pontífice assegurou também que, apesar de tudo isto, “não se dá à família o devido peso, reconhecimento e apoio”.

“A família não só não tem o reconhecimento adequado, mas também não gera aprendizagem”, disse Francisco.

“Às vezes diria que, com toda sua ciência e sua técnica, a sociedade moderna não está ainda em grau de traduzir estes conhecimentos em melhores forma de convivência civil”.

Francisco também sublinhou que “não só a organização da vida comum se encalha em uma burocracia de tudo estranha nos laços humanos fundamentais, como também, além disso, o costume social e político mostra frequentemente sinais de degradação – agressividade, vulgaridade, desprezo – que estão muito por debaixo da soleira de uma educação familiar mínima”.

Por isso, “os extremos opostos desta ‘brutalização’ das relações se conjugam e se alimentam um ao outro”, o que resulta “um paradoxo”.

“A Igreja individualiza hoje, neste ponto exato, o sentido histórico de sua missão em relação à família e do autêntico espírito familiar: começando por uma atenta revisão de vida que olhe a si mesma”.

O Papa manifestou que “se poderia dizer que o ‘espírito familiar’ é a carta magna da Igreja: assim o cristianismo deve parecer e assim deve ser”.

“Jesus, quando chamou Pedro a segui-lo disse que o faria converter-se em ‘pescador de homens’ e por isso nos quer um novo tipo de redes”.

“Podemos dizer que hoje as famílias são uma das redes mais importantes para a missão do Pedro e da Igreja”, e “não é uma rede que faça prisioneiros”. Ao contrário, “libera das águas maliciosas do abandono e da indiferença, que afogam muitos seres humanos no mar da solidão e da indiferença”.

“As famílias sabem bem o que é a dignidade de sentir-se filhos e não escravos, ou estrangeiros, ou só um número do documento de identidade”.

“Daqui, da família, Jesus retoma seu passo entre os seres humanos para persuadi-los de que Deus não os esqueceu”.

Francisco acrescentou que também “daqui Pedro toma vigor para seu ministério” e “daqui a Igreja, obedecendo à Palavra do Mestre, sai a pescar ao lago, com a certeza de que, se isto acontecer, a pesca será milagrosa”.

Ao terminar, o Pontífice pediu orações pelos Padres Sinodais para que, “animados pelo Espírito Santo, fomentem o impulso de uma Igreja que abandona as velhas redes e se põe a pescar confiando na Palavra de seu Senhor”.

Após Catequese, o Santo Padre saudou os doentes, os jovens, e os recém-casados, em especial pela memória da Virgem Maria do Rosário.

“Que a esperança que habita no coração de Maria lhes infunda coragem frente às grandes eleições da vida; queridos doentes, que a fortaleza da Mãe aos pés da cruz lhes sustente nos momentos mais difíceis; queridos recém-casados, que a ternura materna daquela que acolheu no seio Jesus os acompanhe na nova vida familiar que acabam de iniciar”, concluiu.