Na audiência, Francisco questionou se a teoria de gênero não é o resultado de uma frustração por não saber lidar com a diferença sexual e convidou a fazer mais a favor das mulheres

Por Sergio Mora

 

ROMA, 15 de Abril de 2015 (Zenit.org) – Nesta quarta-feira, o Papa Francisco chegou na praça de São Pedro para a tradicional Audiência Geral, a bordo do papamóvel, e saudou os fiéis e peregrinos calorosamente. Não faltaram as trocas de solidéus com alguns fiéis e a parada para abençoar as crianças que se aproximavam dele. Na praça, alguns grupos folclóricos medievais da Itália o receberam com trombetas e tambores, enquanto muitas pessoas balançavam as bandeiras dos países de origem.

Continuando o ciclo de catequese sobre a família, o Papa falou sobre o grande dom de Deus ao criar o homem, a mulher e o matrimônio. “Nem só o homem nem só a mulher são imagem de Deus, mas ambos, como casal, são imagem do Criador”.

Ele questionou se teoria de gênero não é o resultado de uma frustração: “Pergunto-me, por exemplo, se a chamada teoria do gênero não seja expressão de uma frustração e resignação, com a finalidade de cancelar a diferença sexual por não saber mais como lidar com ela. Sim, corremos o risco de retroceder”. “A remoção da diferença é o problema, e não a solução”, afirmou. “Para resolver os seus problemas de relação, o homem e a mulher devem mutuamente falarem-se mais, ouvirem-se mais, conhecerem-se mais e amarem-se mais. Têm que se tratar com respeito e cooperar com amizade. Com estas bases humanas, sustentadas pela graça de Deus, é possível projetar a união matrimonial e familiar por toda a vida”.

“A experiência ensina isso – destacou Francisco- para conhecer-se bem e crescer harmonicamente o ser humano precisa da reciprocidade entre homem e mulher”.

“A cultura moderna e contemporânea abriu novos espaços, novas liberdades e novas profundidades para o enriquecimento da compreensão desta diferença. Mas introduziu também muitas dúvidas e muito ceticismo”.

A ligação matrimonial e familiar, disse Francisco, “é uma coisa séria e o é para todos, não somente para os crentes”. E exortou “os intelectuais a não abandonarem este tema, como se tivesse se tornado secundário para o empenho a favor de uma sociedade mais livre e mais justa”.

No final da catequese, aos peregrinos de língua portuguesa, o Papa disse: “Caros peregrinos de língua portuguesa, bem-vindos! Saúdo cordialmente os fiéis da paróquia de Torrão e o grupo de sacerdotes de Portugal. O Senhor vos abençoe, para serdes em toda a parte farol de luz do Evangelho para todos. Possa esta peregrinação fortalecer nos vossos corações o sentir e o viver com a Igreja. Nossa Senhora acompanhe e proteja a vós todos e aos vossos entes queridos.”

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