MADRI, 17 Jan. 17 / 03:00 pm (ACI).- Akash Bashir era um jovem católico paquistanês, guarda voluntário que vigiava a igreja de São João em Youhanabad, no estado de Lahore (Paquistão). Morreu dentro da igreja ao impedir que um terrorista explodisse o colete de bombas que usava, no dia 15 de março de 2015.

 

“Morrerei, mas você não entrará na igreja”, disse o jovem salesiano antes do colete de bombas do terrorista explodir.

Segundo conta o pai do jovem Akash, seu filho “era consciente do sacrifício que estava fazendo. Ele deu a sua vida para salvar centenas – inclusive milhares – de pessoas que estavam participando da missa naquela manhã”.

No testemunho recolhido pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), o pai de Akash explica: “O mais importante é que a nossa fé nos é dada por Jesus”, “somos escolhidos por Deus e Deus aceitou o sacrifício do nosso filho Akash”.

O pai do jovem mártir diz: “Algumas pessoas me perguntaram: você perdoou quem matou o seu filho? E lhes respondi: O nosso Papa Francisco nos chamou a viver um ano de misericórdia. Por isso e por amor a Jesus, perdoamos todos os que nos perseguem e estão contra nós. Para que eles encontrem o caminho de Deus”. 

Segundo conta o pároco da igreja de São João, Pe. Francis Gulzar, a confiança na convivência pacífica foi perdida, “o que sustenta a nossa busca pela justiça é recordar o heroísmo de Akash”.

Em 15 de março de 2015, Akash Bashir se lançou contra o terrorista para evitar a morte dos fiéis de sua paróquia. O atacante aproveitou a distração de alguns guardas que assistiam pela televisão o jogo de críquete entre Paquistão e Irlanda.

Akash viu a carga de explosivos e parou o atacante perto da porta da igreja, para segundos depois, ao ver que a sua tentativa de convencê-lo era vã, abraçá-lo e colocar o seu corpo como escudo no momento em que o terrorista explodiu o artefato.

Minutos depois, outro atentado ocorreu em uma igreja protestante próxima. O balanço geral foi de 17 mortos e cerca de 80 feridos. Ambos os ataques foram reivindicados pelo grupo Jamaat-ul-Ahrar (JuA).

Cristãos perseguidos no Paquistão

No Paquistão, os cristãos são o alvo dos ataques dos talibãs e outros extremistas muçulmanos. Na Páscoa do ano passado, terroristas muçulmanos perpetraram um atentado suicida em Lahore, contra os cristãos que celebravam esta festa em um parque, causando 78 mortes, entre as quais 31 crianças, e deixando 300 feridos.

Além disso, o rico proprietário de terras muçulmano Haji Rasheed assassinou Ayaan Masih, um menino cristão de dois anos, em Faisalabad (Paquistão), como uma forma de vingança, pois o pai do menino, que é cristão, se negou a trabalhar para ele.

Em abril de 2015, um adolescente paquistanês chamado Nauman Masih foi queimado vivo por declarar-se cristão e faleceu depois de ter perdoado os assassinos.

As igrejas também não estão livres da violência. Em 2012, um grupo de 600 extremistas muçulmanos atacou a igreja de São Francisco, a mais antiga da Arquidiocese de Karachi.

No Paquistão, há uma grande quantidade de pessoas condenadas pela lei de blasfêmia, inspirada na sharia (lei islâmica) para castigar até com a morte qualquer ofensa de palavra ou obra contra Alá, Maomé ou o Corão.

A vítima mais emblemática desta lei é Asia Bibi, uma mãe católica presa há 6 anos e cujo caso chamou a atenção internacional.

As mulheres também são vítimas de ataques dos muçulmanos. Uma delas foi Sonia Bibi, uma cristã de 20 anos queimada viva por se negar a casar com um muçulmano que a obrigou a renunciar a sua fé.

A Fundação ACN pede para não se esquecer desta comunidade cristã e, para isso, convida a entrar em seu site para ajudar com doações. Esta Fundação Pontifícia destina 600 mil euros por ano ao Paquistão, para 60 projetos em favor da educação e construção de igrejas.