MADRI, 15 Jan. 17 / 11:00 am (ACI).- Os 10 países onde os cristãos sofrem perseguição extrema são: Coreia do Norte, Somália, Afeganistão, Paquistão, Sudão, Síria, Iraque, Irã, Iêmen e Eritreia. Em 41º lugar está o México e em 50º a Colômbia.

 

Esta informação aparece no estudo da organização ‘Open Doors’ (Portas Abertas) e foi apresentado no último dia 11 de janeiro em Madri (Espanha), no qual destaca também que um de cada 12 cristãos sofre uma grande perseguição, muito alta ou extrema por sua fé, no total dos 215 milhões de cristãos no mundo. Uma cifra que aumentou durante os últimos anos.

A lista Mundial da perseguição 2017, que inclui os dados desde o dia 31 de outubro de 2015 até a mesma data de 2016, foi apresentada na sede do ‘Open Doors’ na Espanha, junto com a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre.

 

 

 

O relatório foi realizado com pesquisa de peritos locais de 50 países e cataloga a perseguição segundo a pressão que os cristãos sofrem no âmbito privado familiar, social, eclesiástico e nacional.

Nestes 50 países habitam um total de 4.830 milhões de pessoas e o número aproximado de cristãos nesses países é de 650 milhões (13%). Desse total, a organização ‘Open Doors’ considera que 215 milhões (33%) sofrem um grau de perseguição “muito alto, alto ou extremo”.

Em 21 países dos 50 estudados, a população cristã vive um alto nível de perseguição. Em 41 países desses 50, os cristãos são uma minoria vulnerável, pois representam menos de 15% da população total.

A Coreia do Norte está liderando a lista mundial de perseguição pelo décimo sexto ano consecutivo por um “regime ditatorial sem precedentes em sua hostilidade” para os cristãos. De fato, é o país onde é mais perigoso ter uma bíblia, porque supõe “com quase total segurança o envio a um campo de trabalho forçado, em muitos casos não só a nível individual, mas para toda a família”. Também é onde é mais difícil ter um enterro cristão e onde os cristãos sofrem mais acusações de blasfêmia, pois não se ajoelhar ante as estátuas da família Kim é considerado como tal.  

Em países como Somália, Afeganistão, Iêmen e Maldivas, as autoridades e as tribos, famílias e clãs têm como responsabilidade pessoal matar o cristão caso o encontrem com uma bíblia.

Em Maldivas, por exemplo, segundo precisa o relatório, apenas só é possível praticar o cristianismo ser for estrangeiro e sob estritas regulações, de maneira que “é impossível enterrar um familiar de maneira cristã e viver para contá-lo”.

O Iêmen está em 9º lugar, enquanto no relatório do ano passado estava em 11º. Segundo indica Boyd-MacMillan, neste país “a conversão a outra religião pode ser castigada com a morte. Os cristãos foram controlados ativamente e assassinados por tropas muçulmanas sunitas. A guerra causou uma grande mudança e aumento da perseguição e agora os perpetradores são principalmente os extremistas islâmicos”.

Segundo os dados deste novo estudo, a metade desses 215 milhões de cristãos perseguidos se concentra na Índia, Etiópia, Nigéria e China. Somente na Ásia há 100 milhões de cristãos perseguidos.

Segundo ‘Open Doors’, o auge do nacionalismo religioso causou uma intensa onda de perseguição de cristãos nos países do sul e sudeste asiático, pois é a região na qual a perseguição religiosa cresceu mais rápido.

No caso da Índia, o surgimento e chegada ao poder do partido Bharatiya Janata Party (BJP) em 2014 causou, segundo o relatório, o ardor nacionalista religioso hindu. Segundo declarou o diretor de Investigação Estratégica da ‘Open Doors International’, o doutor Ron Boyd-MacMillan, o nacionalismo religioso foi tomando força na Índia da década de 1990. “Os extremistas hindus estão realmente no poder, as multidões extremistas podem fazer o que quiserem no país e a Igreja cristã é grande, assim acontece uma grande quantidade de incidentes”, acrescenta.

Calcula-se que no norte da Índia vivem 40 milhões de cristãos entre a opressiva discriminação e a violência destruidora dos extremistas hindus.

‘Open Doors’ trabalha há mais de 60 anos a favor dos cristãos perseguidos por sua fé. A classificação anual dos 50 países que compõem a Lista Mundial da Perseguição é o resultado de uma investigação coordenada por ‘World Watch Research’ de Portas Abertas Internacional.

A metodologia e os resultados da lista Mundial da Perseguição são auditados de forma independente pelo International Institute for Religious Freedom.

A Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre apresentou em novembro de 2016 o seu relatório sobre a Liberdade Religiosa e coincide com o que foi realizado pela ‘Open Doors’ nos países onde há uma maior perseguição: Afeganistão, Arábia Saudita, Coreia do Norte, Iraque, Nigéria, Síria e Somália. Alguns dados variam entre ambos os relatórios, porque o da ACN é de junho de 2014 a junho de 2016, enquanto o da ‘Open Doors’ é do dia 31 de outubro de 2015 à 31 de outubro de 2016, e ambos recolheram e uniram dados segundo critérios diferentes, mas coincidem em sublinhar que o cristianismo é a religião mais perseguida em todo mundo.