O papa abre o consistório convocado para informar ao colégio dos cardeais sobre a situação dos cristãos na região

Por Salvatore Cernuzio

 

CIDADE DO VATICANO, 20 de Outubro de 2014 (Zenit.org) – “Não podemos nos resignar a pensar num Oriente Médio sem cristãos”, declarou em 21 de novembro do ano passado o papa Francisco, durante a audiência aos participantes da Assembleia Plenária da Congregação para as Igrejas Orientais.

Hoje, por ocasião do Consistório Ordinário Público realizado a fim de informar o colégio cardinalício sobre a situação atual dos cristãos no Oriente Médio, as palavras do pontífice, que já eram prementes, se tornaram de máxima urgência.

Ao longo destes quase doze meses, a situação se deteriorou de modo gravíssimo e os últimos acontecimentos, especialmente no Iraque e na Síria, causam enorme preocupação no coração do papa. “Estamos assistindo a um fenômeno de terrorismo de dimensões inimagináveis”, disse ele aos patriarcas do Oriente Médio reunidos na Sala do Sínodo, no Vaticano.

Na mesma sala em que, durante duas semanas, os bispos do mundo inteiro refletiram sobre o destino das famílias de hoje, o Santo Padre dirigiu um pensamento aos muitos pais e mães perseguidos com seus filhos, que “que tiveram que abandonar as próprias casas de maneira brutal”.

“Parece que se perdeu a consciência do valor da vida humana! Parece que a pessoa não conta e que pode ser sacrificada a outros interesses. E tudo isso, infelizmente, diante da indiferença de muitos”, denunciou o papa.

A situação é totalmente “injusta”, disse o pontífice, e exige, “além da nossa oração constante”, uma “adequada resposta da comunidade internacional”. Nós compartilhamos “o desejo de paz e de estabilidade no Oriente Médio”, continuou ele, “e o desejo de favorecer a resolução dos conflitos através do diálogo, da reconciliação e do compromisso político”.

Ao mesmo tempo, declarou o papa, “nós gostaríamos de dar a maior ajuda possível às comunidades cristãs para apoiar a sua permanência na região”. Francisco se diz seguro, no entanto, de que, “com a ajuda de nosso Senhor, a reunião de hoje promoverá válidas reflexões e sugestões capazes de ajudar os nossos irmãos e irmãs que sofrem e de ir ao encontro do drama da redução da presença cristã na terra onde nasceu e de onde se espalhou o cristianismo”.

“Não podemos nos resignar a pensar no Oriente Médio sem os cristãos”, reiterou o papa; não podemos nos resignar diante da erradicação progressiva de pessoas “que há dois mil anos confessam no Oriente Médio o nome de Jesus”.

No consistório de hoje, o papa também canonizou dois beatos: José Vaz, sacerdote do Oratório de São Felipe Neri, fundador do Oratório da Santa Cruz Milagrosa em Goa e apóstolo do Sri Lanka e da Índia; e Maria Cristina da Imaculada Conceição, fundadora da congregação das Irmãs Vítimas Expiatórias de Jesus Sacramentado.