A Igreja sempre quis incluir os gays e as lésbicas

Por Edson Sampel

 

SãO PAULO, 22 de Outubro de 2014 (Zenit.org) – Bastante apreensão têm causado as interpretações da imprensa sobre o sínodo da família, realizado em Roma entre os dias 5 e 19 de outubro de 2014. Uma das frases da comissão preliminar, que não foi incluída na relatio synodi (relatório sinodal), particularmente suscitou reflexão: “A Igreja deve reconhecer os dons e as qualidades que os homossexuais podem oferecer à comunidade cristã.” Atrelado a este tipo de  pensamento sempre se menciona o já famoso desabafo do papa Francisco, externado em julho de 2013, no voo do Rio a Roma: “Quem sou eu para julgar a consciência de um gay perante Deus?” Tudo isto, segundo a mídia, ressuma uma nova abordagem sobre a homossexualidade.

Não nos esqueçamos de que Francisco suplicou aos integrantes da assembleia do sínodo que se comportassem de modo franco e não tivessem medo de exprimir qualquer ponto de vista; daí a frase, aparentemente vanguardista, sacada do pré-relatório. Na verdade, a Igreja, há muito tempo, deseja incluir os homossexuais nas paróquias, tornando-os membros ativos do redil cristão (Edson Luiz Sampel, Reflexões de um Católico, LTR). Falemos às claras: isto não significa referendar o coito anal e certos outros atos libidinosos, proibidos tanto para os homossexuais quanto para os heterossexuais. A moral cristã, baseada na tradição sagrada e na bíblia sagrada, ensina que os chamados atos homossexuais são ruins. Com efeito, elucida o Catecismo da Igreja Católica: “Apoiando-se na sagrada escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados. São contrários à lei natural (…) Em caso algum podem ser aprovados.” (n. 2357). Este preceito moral é intangível, de direito divino, e não pode ser mudado em hipótese nenhuma. 

A exortação apostólica pós-sinodal, isto é, o documento conclusivo e vinculante, que provavelmente será redigido pelo papa depois da última fase do sínodo sobre a família (outubro de 2015), decerto portará boas novas aos gays e às lésbicas – também eles membros de famílias –, porquanto a Igreja, mais do que nunca, se empenha em criar organismos que congreguem as pessoas homossexuais e as apoie no caminho de santificação. A grande novidade repousa mesmo nesse renovado interesse da Igreja em auxiliar os homossexuais a viver a fé católica.