Em uma edição da revista americana Our Sunday Visitor o Dr. Gregory K. Popcak revela alguns dados

Roma, 10 de Setembro de 2015 (ZENIT.org) – Até agosto de 2015, para alguns milhões de pessoas era bem conhecida a rede social “Ashley Madison”, uma plataforma que visa facilitar novos relacionamentos com pessoas já comprometidas, muitas vezes já casadas. Era a rede social do adultério secreto. Seu lema diz tudo “A vida é curta. Tenha um caso” (“Life is short. Have an affair”).

Esta rede social desabou quando alguns hackers publicaram mais de 30 milhões de dados dos usuários de ‘Ashley Madison’. O fato expôs a penetração e alcance que a infidelidade chegou a ter na era digital. Claro que isso não é algo “novo”, mas é verdade que plataformas tecnológicas atuais como “Ashley Madison” facilitaram a sua difusão.

Estudos recentes da “American Association for Marriage and Family Therapy” revelam que um 20% dos casamentos tem algum tipo de infidelidade sexual. Outro 20% é vítima de algum vínculo emocional com outra pessoa que não seja seu cônjuge. E como estão as coisas em círculos especificamente católicos?

Em uma edição da revista americana Our Sunday Visitor o Dr. Gregory K. Popcak revela alguns dados: até 83% dos casamentos católicos cometem “infidelidades espirituais” (cf. “Spiritual infidelity: A crisis in Catholic marriage”, 02.09. 2015).

Por “infidelidade espiritual” entende-se um conceito muito mais amplo do que o de “infidelidade sexual” ou “infidelidade sentimental”: considerando as mútuas promessas que ambos os cônjuges se prometeram no dia do casamento e uma vez que este sacramento supõe para os cônjuges que se tornem ajuda um para o outro para chegar ao céu (o que implica viver a fé juntos: orar unidos, ir juntos à missa, educar de forma cristã os seus filhos, etc), a violação dessas promessas de caráter espiritual torna-se uma “traição” que, em última instância, enfraquece o casamento e facilita outras infidelidades. Essa é a “infidelidade espiritual” definida por Popcak.

Qual é a base para se chegar a essa porcentagem de “infidelidade espiritual? Um estudo realizado pelo “Center for Applied Research in the Apostolate” da Universidade de Georgetown e patrocinado pela “The Holy Croos Family Ministries” mostra que apenas 17% dos casais católicos rezam juntos. Isso significa que, de acordo com o Dr. Popcak, que “em termos práticos, se um casal católico não está partilhando ativamente a sua fé, adorando a Deus juntos, orando juntos, cai-se na infidelidade espiritual ao colocar algo diferente de Deus e da fé no centro das suas vidas”. E acrescenta: “parece-me que, infelizmente, os católicos aceitam a existência da infidelidade espiritual”.

Para Popcak é algo muito sério que a maioria dos esposos católicos não assumam que devem esperar algo do seu cônjuge relativo aos compromissos espirituais mutuamente adquiridos como orar juntos ou compartilhar a fé. Muitas vezes ouve muitas vezes esposas e esposos que dizem: “Não posso obrigar meu cônjuge a orar”. E refere que certamente não se trata de forçar ninguém a fazer nada; trata-se de convidar permanentemente ao casal a ser fieis às promessas realizadas no altar com a expectativa de que, pelo menos, por respeito ao seu esposo (a), compartilhem um momento de oração significativo. Não fazê-lo seria consentir abertamente a “infidelidade espiritual”.

O “sim quero” pronunciado no altar, tendo a Deus como testemunha, seria a base que dá a ambos os cônjuges o direito de esperar certas coisas, também na vida espiritual da outra parte do matrimônio.