Francisco exorta os fiéis a renovarem o “zelo missionário” e recorda os sete trabalhadores chineses que morreram há dois anos no incêndio de uma fábrica

 

Roma, 10 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Luca Marcolivio

Uma “visita-relâmpago”, mas particularmente intensa, foi feita pelo papa Francisco a Prato, na Itália, em seu trajeto até Florença, onde participou do V Congresso Eclesial Nacional Italiano.

Ele chegou de helicóptero no campo de esportes da cidade toscana e foi acolhido pelo bispo dom Franco Agostinelli e pelo prefeito Matteo Biffoni. Depois, foi de carro à catedral de Prato, onde ficou alguns minutos em adoração do Santíssimo Sacramento. Após cumprimentar os membros do Capítulo, alguns padres e freiras idosas, Francisco foi ao púlpito externo e recebeu a calorosa saudação dos fiéis.

Dom Agostinelli fez o discurso de boas-vindas e agradeceu ao Santo Padre por ter aceito o convite e convocado o Sínodo da Família e do Jubileu da Misericórdia.

“Vim como peregrino de passagem; pouca coisa, mas é alguma coisa”, brincou o papa, sublinhando em seguida o título de “Cidade de Maria” atribuído a Prato. “Vocês estão em boas mãos! Mãos maternas que protegem, sempre abertas para acolher”.

A exortação de Francisco aos fiéis foi a “ficarem prontos para sair”, a não permanecerem “fechados na indiferença”. A época atual é marcada por “transformações às vezes frenéticas”, que podem causar a perda da “coragem de tentar a rota”, preferindo “o refúgio em algum porto seguro”. Mas o Senhor quer “alcançar aqueles que ainda não o amam” e quer nos seus filhos uma renovação do “zelo missionário”, para acompanharem “os que se perderam no caminho”.

Francisco fez um agradecimento especial à comunidade de Prato pelos “esforços constantes para integrar cada pessoa, contrariando a cultura da indiferença e do descarte. Citando São Paulo (cf. Ef 6,14), ele sugeriu: “Devemos cingir-nos com a verdade. Não podemos construir nada nas mentiras e na falta de transparência. Optar pela verdade não é fácil, implica, entre outras coisas, lutar pela sacralidade de cada ser humano, pelo respeito, pelo trabalho digno, vencendo o câncer da corrupção e o veneno do pecado”.

O papa recordou o trágico episódio dos sete trabalhadores chineses que morreram em 1º de dezembro de 2013, durante um incêndio no edifício industrial em que, além de trabalhar, viviam num “dormitório  com beliches sobrepostos para explorar até a altura da estrutura”. O desastre aconteceu há dois anos e “é uma tragédia da exploração e das condições desumanas de vida! E isso não é trabalho digno!”, exclamou o pontífice.

Sua exortação final foi dirigida aos jovens para que nunca cedam “ao pessimismo e à resignação”, mas tenham em mente o exemplo de Maria: “Com a oração e com o amor, num trabalho silencioso, ela transformou o sábado da desilusão na aurora da ressurreição”.