Irmã Nirmala dirigiu a Congregação das Missionárias da Caridade de 1997 a 2009

Roma, 24 de Junho de 2015 (ZENIT.org)

A irmã Nirmala Joshi, primeira sucessora da Madre Teresa no governo das Missionárias da Caridade, morreu nesta terça-feira, aos 81 anos, na cidade indiana de Calcutá. Seus restos mortais foram transferidos para a igreja de San Juan, onde as freiras se despediram cantando e rezando. O funeral foi realizado hoje, às 16h, na sede central da congregação.

O arcebispo de Calcutá, Mons. Thomas D’Souza disse a um jornal local que a religiosa, que “deu o seu último suspiro em paz”, sofria problemas cardíacos e, apesar de ter sido hospitalizada, faleceu em uma das casas das Missionárias da Caridade. “Nunca perdeu o seu sorriso e manteve-se jovial”, acrescentou o prelado.

“A irmã Nirmala continuou o legado de compaixão, humildade e serviço aos mais pobres dos pobres, de Madre Teresa”, disse Mons. D’Souza. Também lembrou que “mesmo depois de deixar de ser superiora das Missionárias da Caridade, serviu as pessoas com o mesmo entusiasmo com que costumava”.

Por sua parte, o arcebispo de Mumbai, o cardeal Oswald Gracias definiu a religiosa como uma mulher “simples, humilde, iluminada pela luz da fé e dotada de uma força interior extraordinária, que transmitia um espírito de calma e tranquilidade”.

Em declarações à AsiaNews, o cardeal sublinhou “o privilégio de ter encontrado muitas vezes a irmã Nirmala e ter-me sentido sempre confortado e incentivado na minha missão”. “O dom diário das suas orações foi um apoio forte para mim, a nível pessoal e para a Igreja na Índia e na Ásia. Ela era muito espiritual e com a sua santidade edificou a nossa Igreja”, acrescentou.

Gestos de condolências pela morte da religiosa se multiplicaram nas redes sociais como o Twitter, onde o hastag #SisterNirmala tornou-se uma das tendências na Índia.

“Estou triste com a morte da Irmã Nirmala, que liderou as Missionárias da Caridade depois da Madre Teresa. Calcutá e o mundo sentirão a sua falta”, escreveu na conhecida rede social a líder do Governo de Bengala, Mamata Banerjee.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também enviou as suas “mais profundas condolências” à “família” das Missionárias da Caridade por causa da morte da religiosa, depois de uma vida dedicada “aos pobres e aos sem-teto”. “Espero que a sua alma descanse em paz”, disse o líder Hindu.

O exemplo da Irmã Nirmala e a sua contribuição para a missão levada a cabo pelas irmãs de Madre Teresa de Calcutá foram lembrados por pessoas de diferentes religiões, não só na Índia, mas também no mundo. No Nepal, país de origem da religiosa, milhares de pessoas expressaram suas condolências pela sua morte, expondo suas fotos e levando flores. Também muitas instituições de caridade organizaram atos públicos de homenagem.

O governo de Kathmandu reconheceu os serviços das Missionárias da Caridade, definindo a congregação e irmã Nirmala como “os mais altos exemplos de humanidade e serviço à comunidade” do mundo.

Em uma declaração oficial, o primeiro-ministro do Nepal, Sushil Koirala, disse: “Estamos orgulhosos de defender e levar adiante seu trabalho e sua visão através do trabalho das Missionárias da Caridade no Nepal. Sua organização ganhou o maior respeito e seus serviços estão vivos nos corações de cada pessoa pobre, marginalizada e necessitada”.

A irmã Maria Nirmala Joshi nasceu em uma família de brâmanes em 1934 em Ranchi, no leste de Bihar, na Índia, onde seus pais haviam migrado do Nepal. Foi educada por missionários cristãos na cidade de Patna, na Índia, mas continuou a ser Hindu até os 24 anos quando, motivada pelo trabalho e exemplo de Madre Teresa de Calcutá, converteu-se ao catolicismo.

Foi uma das primeiras Missionárias da Caridade que fundou casas da Congregação no exterior, no Panamá. Liderou depois missões na Europa e Washington. Quando, em 1976 Madre Teresa fundou o ramo contemplativo, confiou a direção à irmã Nirmala.

Em março de 1997, seis meses antes da morte da fundadora, que foi beatificada em 2003, foi eleita para suceder a Madre Teresa no governo das Missionárias da Caridade. Irmã Nirmala tomou seu lugar na direção da congregação até 2009, quando pediu licença para ter “uma vida de contemplação”.