Saudamos todos os namorados no dia que lhes é dedicado. Fazemo-lo com alegria e esperança, augurando-lhes um futuro feliz. O namoro é um direito e um dever de quem se sente chamado ao matrimónio.

 

É um tempo de graça, se assumido e vivido na expectativa de concretizar o sonho de constituir uma família saudável. Porque ela se coloca a jeito, não faltam padrinhos a dar nome a esta nossa sociedade. Uns apelidam-na de “sociedade líquida”, do “usa e deita fora”. Outros dizem que é a sociedade “do provisório”, “do descarte”, “da era do plástico”, do “amar sem Amor para que tudo dure apenas, e só, enquanto durar”, “ do medo dos compromissos definitivos”. Seja lá como for, o que é certo é que, nesta sociedade tantas vezes perturbada pelos nossos comportamentos, a grande maioria dos jovens aspira a constituir uma família estável e duradoira. Apesar de crescerem na lógica do individualismo, apesar de tocados por ideologias que desvalorizam o matrimónio e a família, apesar de não lhes passar despercebida a experiência do fracasso de outros casais, os jovens sabem que só uma família sólida, inclusiva e respeitadora das diferenças, dá garantias de crescimento saudável e feliz.

Ninguém nasce para ser infeliz. Fomos criados por Amor e para Amar. No entanto, embora possa haver quem pense o contrário, entendemos que não está certo amar sem Amor. Isso é fingimento, egoísmo, negação do amor, mentira. O amor não se vende nem se compra, não se negoceia nem se acorda, não se finge nem se força, não se vive a prazo, não é fruto de um “eu” forjado para cativar e seduzir um “tu” fragilizado. João Batista Montini dizia: “se o egoísmo governa o reino do amor humano, que é precisamente a família, avilta-o, entristece-o, dissolve-o. A arte de amar não é tão fácil como comumente se pensa. O instinto não é suficiente para a ensinar. A paixão ainda menos. O prazer também não”.

A Igreja propõe que o tempo de namoro seja um itinerário de reflexão, de fé e de discernimento. Esse período joga com a responsabilidade e a seriedade de ambos os namorados num processo de respeitoso e mútuo conhecimento. Só assim, poderão, com maior garantia e menores riscos, tomar decisões, delinear caminhos e definir projetos para a vida inteira. A história de um casal e da sua família começa a escrever-se neste tempo do namoro, com as tintas da verdade e da delicadeza, sem falsas artimanhas de conquista, sem antecipar passos para, por medo de rejeição ou abandono, prender e comprometer o outro.

Como sabemos, a experiência do fracasso familiar é uma experiência dolorosa para todos e deixa marcas. Sobretudo para a parte inocente, se a há, e para os filhos que, às vezes, numa espécie de “partilhas litigiosas” entre os pais, chegam a ser objeto de disputa, verdadeiras vítimas do insucesso matrimonial. É um sofrimento que dói, dói no silêncio angustiado e triste das crianças e afeta o seu crescimento saudável.

Para minimizar todas estas situações dolorosas, o último Sínodo dos Bispos insistiu e voltou a insistir na necessidade de formação, na necessidade de uma verdadeira preparação para o matrimónio, preparação remota, próxima e imediata. Formação que não deveria acontecer por ser imposta, mas por ser considerada necessária e desejada pelos próprios jovens. Foi dito que a preparação para o matrimónio deveria ser uma espécie de noviciado, análogo ao percurso de iniciação cristã. E que até poderia começar com um ato litúrgico concreto de bênção do noivado. E o Papa Francisco, em Janeiro passado, ao falar no Tribunal da Rota Romana, lembrava isso mesmo. Lembrava a necessidade e urgência de uma pastoral “orientada para a preparação adequada para o matrimónio – friso este aspeto – uma espécie de novo catecumenato – tão desejado por alguns padres sinodais”.

Desejamos que o namoro seja cada vez mais uma oportunidade para um maior conhecimento mútuo em ordem à concretização de um projeto de família alegre e feliz.

Comissão Episcopal do Laicado e Família