Mensagem de D. Nuno Almeida, Presidente da CELF, à “Formação à vista”

Coimbra, 17 a 19 de outubro de 2025

Saúdo o Pedro Carvalho, o Pe. Diniz, os Formadores e todos os participantes de “Formação à Vista”, conscientes de que há todo um mar de desafios. E quereis enfrentá-los juntos escutando, aprendendo e agindo.

Como é bom que, nestes dias, o Seminário Maior de Coimbra seja porto de encontro para quem caminha com a juventude. Que sejam três dias de partilha, reflexão e inspiração sobre os caminhos da pastoral juvenil: a realidade dos jovens hoje, a comunicação, a liderança, a escuta e a espiritualidade.

Temos consciência de que a experiência de ser jovem, hoje e nas últimas décadas, é complexa e cheia de contradições. Somente algumas notas: O tempo da adolescência/juventude continua a prolongar-se. Os jovens têm vindo a perder peso na demografia portuguesa. O fenómeno das migrações afeta muitos jovens: quer jovens de origem portuguesa que emigram, quer jovens de outras geografias e contextos culturais que imigram. A cultura digital, na sua ambiguidade, é omnipresente e tem fortes impactos culturais, económicos e psicológicos. Ao longo das últimas décadas tem vindo a diminuir a relação dos jovens com o mundo do trabalho. As novas gerações mantêm o desejo de transformar a sociedade e a ecologia. Apreciam a vida de família.

Para evangelizar os jovens, a Igreja desenvolve um conjunto variado de ações, sob a orientação poderosa do Espírito do Senhor Jesus Ressuscitado, para dar plenitude de vida e de esperança a todos os jovens. A este amplo leque de ações, chamamos Pastoral Juvenil

Todo o projeto de PJ que queira ter futuro, discerne, planeia, implementa e avalia a formação dos seus recursos humanos. A formação é a mediação pela qual o Senhor habilita para a missão.

A vontade de adquirir mais competências, de melhorar os processos é mais que uma questão de eficiência: é resposta positiva aos apelos de Deus que nos chama, que nos envia e que nos capacita para a missão. Pede uma atitude humilde e vontade de aprender e de crescer. É motivada pelo desejo de corresponder ao chamamento que recebemos e de servir melhor os jovens a quem somos enviados.

Os jovens têm necessidade antes de tudo de pessoas que tenham confiança neles, que saibam identificar os pontos acessíveis de bem presentes na sua vida, que procurem, sem descanso, espaços de escuta e de diálogo com eles. No fundo, pessoas que tenham feito seu o olhar de Deus.

É grande a responsabilidade de aprendermos com Jesus a dar espaço aos jovens, a acompanhá-los sem os substituir, para que seja um caminho libertador, fecundo e vivificante. Jesus reanima, reaviva, reabilita a liberdade, porque “exercita plenamente a sua autoridade: não quer outra coisa senão o crescimento dos jovens, sem qualquer possessividade, manipulação e sedução” (DF 71, Documento Final da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, outubro de 2018).

Bom e fecundo trabalho!

Bragança, 17 de outubro de 2025

+Nuno Almeida

CELF

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