Igreja evoca Todos os Santos antes de recordar fiéis defuntos

 

Braga, 30 out 2015 (Ecclesia) – O Departamento de Liturgia da Arquidiocese de Braga publicou um subsídio litúrgico para a ‘Romagem ao cemitério’ para as comunidades viverem juntas a comemoração do dia dos fiéis defuntos.

“A comemoração de todos os fiéis defuntos é uma continuação da festa de Todos os Santos, quer os fiéis que vivem na glória, quer os que vivem na purificação, preparando-se para a visão de Deus”, explicam os responsáveis pela publicação.

Neste contexto, apresenta-se um subsídio litúrgico para o dia 2 de novembro, disponível no sítio online da Arquidiocese minhota.

“A Igreja peregrina não podia, por isso, ao celebrar a Igreja da glória, esquecer a Igreja que se purifica no Purgatório”, acrescenta o documento, aludindo a duas celebrações litúrgicas distintas que se sucedem no calendário católico.

No dia 1 de novembro, a Igreja celebra a solenidade litúrgica de Todos os Santos, na qual lembra conjuntamente “os eleitos que se encontram na glória de Deus”, tenham ou não sido canonizados oficialmente, como explicou o cardeal português D. José Saraiva Martins, que presidiu à Congregação para as Causas dos Santos (Santa Sé), na mais recente edição do Semanário digital ECCLESIA, dedicado ao ‘Luto e Santidade’.

Esta data foi adotada em primeiro lugar na Inglaterra do século VIII acabando por se generalizar progressivamente no império de Carlos Magno, tornando-se obrigatória no reino dos Francos no tempo de Luís, o Pio (835), provavelmente a pedido do Papa Gregório IV (790-844).

Segundo a tradição, em Portugal, no dia de Todos os Santos, as crianças saíam à rua e juntavam-se em pequenos grupos para pedir o ‘Pão por Deus’ de porta em porta: Recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano; nalgumas aldeias chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’.

O feriado de Todos os Santos é um dos quatro atualmente suspensos em Portugal, juntamente com os dias do Corpo de Deus, 5 de outubro e 1 de dezembro.

Por sua vez, a ‘comemoração de todos os fiéis defuntos’, remonta ao final do primeiro milénio: foi o Abade de Cluny, Santo Odilão, quem no ano 998 determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem se fizesse nesta data a evocação de todos os defuntos ‘desde o princípio até ao fim do mundo’.

Este costume depressa se generalizou: Roma oficializou-o no século XIV e no século XV foi concedido aos dominicanos de Valência (Espanha) o privilégio de celebrar três Missas neste dia, prática que se difundiu nos domínios espanhóis e portugueses e ainda na Polónia.

Durante a I Guerra Mundial, o Papa Bento XV generalizou esse uso em toda a Igreja (1915).

Agência Ecclesia